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Brasil

Onze são presos em 6 estados por golpe do falso advogado

A partir daí, os criminosos solicitam transferências via Pix para liberar um suposto crédito existente no processo

Redação Jornal de Brasília

20/08/2025 22h21

São Paulo, 20 – Golpistas pesquisam processos judiciais, com informações públicas, e contatam clientes ou partes do processo, fazendo-se passar pelo advogado contratado. A partir daí, os criminosos solicitam transferências via Pix para liberar um suposto crédito existente no processo.

O chamado golpe do “falso advogado” levou à prisão de 11 pessoas nesta quarta, 20, em 6 Estados. Elas são acusadas de invadir os sistemas dos Tribunais de Justiça e usar dados profissionais de advogados. A operação interestadual, liderada pela Polícia Civil de Santa Catarina, foi realizada ainda em São Paulo, Rio, Ceará, Pernambuco, Bahia e Rio Grande do Norte. E cumpriu 26 mandados de busca e apreensão.

Investigadores identificaram indícios de envolvimento dos suspeitos com facções criminosas em São Paulo e no Rio. Cinco suspeitos foram presos em São Paulo. “Identificamos contatos dos suspeitos com facções, mas precisamos confirmar essas ligações, essa migração para os crimes digitais, ao longo das investigações”, afirmou o delegado regional de Joinville, Rafaello Ross.

Segundo as investigações, os criminosos estariam utilizando a identidade de advogados inscritos na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e dados de processos judiciais para induzir as vítimas a realizar depósitos de custas que não existiam. Desde agosto de 2024, só a OAB-SP informa ter recebido 3,5 mil denúncias. O advogado Guilherme Aquino, vice-presidente da OAB Joinville (SC) teve seus dados utilizados por criminosos. “Na ansiedade de ter um andamento processual mais célebre, o cliente acaba antecipando custas que, na verdade, não deveriam ser antecipadas.”

Ainda não há indícios de envolvimento de servidores públicos no vazamento. A polícia investiga como os criminosos conseguiram acessar as informações sigilosas.

Os suspeitos de praticar os crimes foram identificados em vários Estados, com grande concentração de vítimas nas cidades catarinenses de Blumenau e Joinville – só nesta cidade foram registrados 100 boletins de ocorrência nos últimos meses.

Ross acredita que os criminosos atuem de forma regional, passando de um Estado a outro. A investigação ainda não determinou o número de vítimas nem o prejuízo total. Os valores dos golpes são variáveis, de acordo com as ações judiciais. A polícia bloqueou R$ 5,2 milhões dos investigados.

Cartilha

Para enfrentar a fraude e orientar a população e clientes, a seção paulista da Ordem até criou uma cartilha, segundo Leonardo Sica, presidente da OAB-SP.

Estadão Conteúdo

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