Menu
Brasil

OMS adverte do risco de baixar a guarda contra a aids

Arquivo Geral

19/07/2010 14h11

Muito se avançou, mas ainda falta bastante por fazer na luta contra a aids, uma batalha na qual a Organização Mundial da Saúde (OMS) considera essencial a prevenção ao contágio nos grupos de risco e o uso mais eficiente dos recursos e conhecimentos já existentes sobre este mal.

“A luta não terminou, ainda resta muito por fazer”. Essa é a advertência do médico Gottfried Hirnschall, responsável pelo departamento de aids da OMS e um dos 25 mil participantes da Conferência Internacional Aids 2010, realizada em Viena.

“Certamente já demos grandes passos na luta contra o HIV. Por exemplo, 5 milhões de pessoas conseguiram acesso a tratamentos contra o HIV”, indicou o analista em entrevista à Agência Efe.

Diante das boas notícias, também lembra que há ainda 10 milhões de pessoas sem acesso aos tratamentos e que em 2008 se produziram 2,7 milhões de novas infecções.

Além disso, Hirnschall se referiu a outras das batalhas pendentes na luta contra a aids, a dos direitos humanos.

“Vemos que em muitas partes do mundo pessoas com HIV são discriminadas, excluídas. Comportamentos homossexuais estão proibidos pela lei. Trabalhadores sexuais são excluídos dos serviços (sanitários)”, enumerou o médico austríaco.

Nesse sentido, o diretor da OMS destacou “que é muito importante não colocar barreiras no caminho” e defendeu a necessidade de que “a saúde pública precisa ser construída em função de testes (científicos) e incluir o total respeito aos direitos humanos”.

Nesse sentido, Hirnschall lembrou que a OMS apoia as estratégias de redução do dano, como a troca das seringas e os tratamentos alternativos para drogados.

Assim, destacou que a prevenção é uma arma essencial no combate contra a aids e recomendou “concentrar-se onde está o maior risco de transmissão de HIV: população carcerária, homossexuais, trabalhadores sexuais, drogados…”

Com relação aos presos, Hirnschall reconheceu que é “um grupo que recebe pouca atenção” e é afetado por uma série de realidades, como a toxicomania, a exclusão social e a criminalização, às que é preciso enfrentar.

“Eu trabalhei os últimos anos na América Latina. Vimos condições terríveis em algumas prisões. Pessoas que perdem totalmente seus direitos, inclusive seus direitos como presos, seu direito a serviços de saúde e básicos”, indicou Hirnschall, que trabalhou com a Organização Pan-americana da Saúde.

Para solver essa situação, o responsável da OMS apostou que os ministérios de Saúde tenham um papel de maior diálogo com os ministérios responsáveis pelas prisões.

Com tudo, Hirnschall confiou em que da Conferência Internacional de Aids de Viena saiam novas diretrizes em matéria de respeito aos direitos humanos, de estratégias de prevenção e de avanços na eficácia da luta contra a aids.

“Por exemplo, como podemos reduzir os custos dos remédios e preparar melhor os médicos. Falamos também sobre o desenvolvimento de remédios mais simples, de mais fácil de administrar”, explicou Hirnschall.

“Há sucessos na prevenção, mas também muitos vazios e há ainda novas infecções. Temos de tentar ter bons argumentos para seguir vendo o HIV como uma prioridade para receber mais recursos, mas também usar de forma mais eficaz os que temos”, explicou.

Para isso, lembra, é preciso ter presente o risco que representa que a crise econômica reduza os fundos que se destinam a aids.

“Justo agora, nessa conferência, vamos falar sobre a redução dos recursos. Agora vemos como os fundos diminuíram nos últimos dois anos. Esse risco existe. O que claramente temos de indicar é que, apesar dos sucessos, há muitas lacunas, há muito por fazer”, advertiu.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado