Mais policiais também têm morrido em serviço, segundo a pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública divulgada ontem. Os dados coletados da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP) e do Ministério Público mostram aumento de 133% nos óbitos desde 2022.
Conforme o relatório, foram 14 PMs mortos em serviço em 2024, ante 6 em 2022. Houve aumento também na letalidade por agentes de segurança (mais informações na página ao lado). A recorrência de confrontos e a letalidade policial maior, dizem especialistas, não necessariamente leva ao combate mais eficaz ao crime organizado. Esse cenário pode resultar, na verdade, em risco maior para comunidades dominadas por facções e para os próprios PMs.
“Os policiais não estão utilizando (as câmeras corporais); não existem sanções aos que não utilizam”, destaca Samira Bueno, do Fórum. Para a especialista, quando o agente tem a preocupação de seguir o protocolo, porque está usando a câmera, ele se protege mais. “Ele mata a menos e ele morre menos”, afirma.
Além da flexibilização das câmeras, o relatório produzido pelo Fórum mostra que, entre 2022 e 2024, houve redução em medidas de controle de força policial. Isso, conforme os pesquisadores, também afeta a conduta dos agentes, os colocando em risco.
O número de Conselhos de Disciplina – responsáveis por julgar praças que cometeram infrações ou crimes – caiu 46% em 2024 e os processos administrativos disciplinares, em 12,1%. A quantidade de sindicâncias e inquéritos policiais militares (IPMs) atingiu o menor patamar dos últimos oito anos. Desde junho, a Corregedoria também passou a depender de autorização do subcomandante geral para afastar policiais envolvidos em casos de atentado às instituições, ao Estado ou aos direitos humanos.
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