Freddy Charlson, com agências
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Ele festejava sua coleção de 17 mil calcinhas, ele era festejado pelo público como um dos ícones bregas do País, ele era um bon vivant, um papo agradável, uma entrevista com audiência garantida. Mas ele morreu. Sim, Wando, o autor do clássico Fogo e Paixão, morreu, após não resistir a um ataque cardíaco. E olhem que os últimos dias eram de boas notícias. O coração do cantor, após passar por uma angioplastia no último dia 27, quando ele sofreu um infarto, se recuperava bem. A respiração quase não precisava da ajuda de aparelhos, a alimentação por via oral era retomada com iogurte e os médicos do Hospital Biocor, em Nova Lima (MG), tinham esperanças em tirá-lo do Centro de Tratamento Intensivo e levá-lo para um quarto comum.
Mas, na madrugada de ontem, o coração que Wando tanto cantou em suas músicas começou a traí-lo. Às 5h40, os médicos diagnosticaram uma piora cardíaca. Uma hora depois, não havia mais batimentos. “Apesar de todos os esforços para reanimá-lo, como o uso do desfibrilador, Wando morreu às 8h”, informou o médico Heberth Miotto. Aos 66 anos, ele estava com 30 quilos acima do peso e levava vida sedentária. “Ele nunca cuidou do próprio coração”, disse o médico a respeito do artista que, em 50 anos de carreira, vendeu dez milhões de unidades de seus 28 álbuns. O enterro será hoje, em Belo Horizonte, às 11h, no Cemitério Bosque da Esperança.
saudade
Outros grandes craques da música brega, como Fagner e Reginaldo Rossi, não se conformaram com a morte do Rei das Calcinhas. Fagner, por exemplo, disse que Wando era um cara gentil e que fez um tipo de música fácil, com malandragem. ”Sempre foi bacana, educado e nunca teve estrelismo”, afirmou. Já Reginaldo Rossi falou que Wando cantava a música real, para o povo. “Música é sucesso quando o povo canta, e todo compositor quer sua música na boca do povo. Quando cantei Fogo e Paixão, semana passada, em Bom Jardim (PE), desejei muita saúde pra ele”, lembrou.
Difícil, afinal, não lembrar de Wando. E não sair, por aí, cantarolando as breguíssimas e, por isso, popularíssimas, músicas do cantor. Músicas que grudam feito chiclete. Além de Fogo e Paixão (cuja letra está aí, ao lado), que começa com o verso “Você é luz/ É raio, estrela e luar/ Manhã de sol/ Meu iaiá, meu ioiô”, Wando criou pérolas como Moça (“Moça, eu sei que já não é pura/ Teu passado é tão forte pode até machucar/ Eu quero me enrolar nos teus cabelos /Abraçar teu corpo inteiro/ Morrer de amor, de amor me perder”).
Tanto amor e devoção inspiraram a criação, em 2009, da banda brasiliense Brega & Rosas. O grupo, que se apresenta, amanhã à noite, no Arena Futebol Clube (Setor de Clubes Sul), promete fazer uma homenagem surpresa ao cantor. Afinal, Fogo e Paixão foi a primeira música do repertório da banda, que tem 34 canções. “É uma das primeiras músicas que você pensa quando se fala de brega”, conta o baterista Vítor de Moraes, 26 anos.
Não à toa, quando a banda foi criada os membros só pensaram nessa música para “iniciar os trabalhos”. “Além de tudo, é uma música fácil. Eu, que sou baterista, sei tocá-la no violão. No nosso estilo, fizemos um arranjo para acelerar a canção”, explica Moraes. Segundo ele, Wando é mais importante no universo pop do que no brega. “Acho que tem a ver com essa história das calcinhas…”
Pode ser. A certeza, porém, é que o Rei das Calcinhas morreu. Aliás, era o único homem que podia voltar para casa com calcinhas alheias sem ser incomodado. E, com ele, morre toda uma mística em relação a essa importante peça do vestuário feminino. Fica a dica.