Apesar de chegar ao Brasil com a moral de campeão olímpico em Atenas-2004, o argentino Ruben Magnano demonstrou humildade e pediu a ajuda dos treinadores do país a fim de conseguir fazer um bom trabalho no comando da seleção masculina principal.
“Necessitamos da vivência de todos, treinadores e jogadores”, comentou o treinador, que promete deixar as portas do time nacional abertas para os colegas de trabalho. “Quero fazer reuniões e clínicas com os técnicos de diferentes regiões, além de convidá-los a participar de algumas concentrações”, emendou.
Ao contrário do antigo técnico, o espanhol Moncho Monsalve, Magnano viverá no Brasil. “Foi ele quem se ofereceu para viver aqui”, contou Vanderlei Mazzuchini, coordenador de seleções masculinas da CBB. A mudança do técnico deve ocorrer até março, mas até lá ele vai iniciar seu trabalho viajando para os Estados Unidos e para a Europa a fim de conversar com atletas brasileiros.
Com um discurso de que todos os jogadores serão observados para futuras convocações, Magnano também pretende percorrer o país a fim de acompanhar jogos. “Quero conhecer os jogadores brasileiros, pois eles são a verdadeira materia-prima do basquete”, comentou o técnico.
Coordenador da base argentina até 2004, Magnano pretende implantar projeto semelhante no Brasil tendo em vista os Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro. E, mais uma vez, conta com o auxílio dos demais técnicos do Brasil.
“O jovem fica só uns 40, 50 dias na seleção e o restante do tempo está com o treinador em seu clube. É lá que ele vai ter o crescimento, nós apenas monitoramos e aconselhamos”, destacou.
Nos próximos dias, o novo treinador deve acompanhar as finais do Campeonato Paulista, no qual verá em cena um de seus assistentes técnicos: João Marcelo Leite, treinador do Paulistano/Amil, que disputa o título contra São José. Auxiliar de Moncho, José Neto seguirá no cargo.
Apesar de se fazer entender quando fala devagar, o argentino também já está providenciando aulas de português. “Desculpe por eu não ter conseguido aprender a língua em cinco dias”, brincou o técnico ao iniciar sua apresentação nesta sexta-feira. “Mas, por enquanto, vou ter que falar o portunhol”, emendou.
Questionado sobre a reação dos compatriotas à sua decisão de “virar a casaca”, o treinador vice mundial em Indianápolis-2002 disse ter recebido muito apoio. “Apesar da rivalidade entre os países, recebi muitos desejos de boa sorte dos técnicos e das pessoas na rua. Isso me dá energia porque não é fácil”, admitiu.