O Brasil tem o desafio de conter o avanço de uma zoonose de grande importância para a saúde pública – a Leishmaniose Visceral (LV). Causada por um protozoário e transmitida ao cão e ao homem pela picada de um mosquito, a doença é fatal para os cães (o Ministério da Saúde recomenda a eutanásia dos cães infectados) e no homem pode causar uma série de alterações nos rins, fígado, baço e medula óssea.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a doença registra anualmente 500 mil novos casos humanos no mundo com 59 mil óbitos. Na América Latina, ela já foi detectada em 12 países e, destes, cerca de 90% dos casos ocorrem no Brasil, onde, em média, 3.500 pessoas são infectadas e mais de 200 morrem anualmente.
Segundo dados da Secretaria de Saúde, em 2009 foram 60 casos confirmados de leishmaniose em Brasília, sendo 54 importados. O Distrito Federal já registrou, neste ano, 207 casos de leishmaniose em animais. “Mesmo com todos esses casos, a população ainda tem pouco conhecimento sobre a doença, principalmente sobre a importância de se prevenir quando for viajar e levar seus cães para outras áreas endêmicas. Já foram encontrados mosquitos transmissores da leishmaniose nas regiões da Fercal, Mansões Sobradinho, Grande Colorado, Setor Habitacional Contagem, Lago Norte e Lago Sul.
Com vistas à prevenção, médicos veterinários do Rio de Janeiro devem intensificar o diagnóstico da doença através dos exames de sorologia recomendados pelo Ministério da Saúde e, sobretudo, orientar os donos de cães a utilizarem medidas que diminuam o risco de infecção do cão. Como medida de prevenção, destaca-se o uso da coleira impregnada com Deltametrina a 4% (Scalibor®), recomendada pela OMS como uma das ferramentas de controle da doença, ou o uso de inseticidas tópicos, como é o caso da Permetrina a 65% (Pulvex® Pour-on).
Algumas atitudes simples, como a limpeza de quintais com a remoção de fezes e restos de folhas e frutos em decomposição, podem ajudar a combater a doença, uma vez que o mosquito que a transmite ao cão e ao homem coloca seus ovos em locais ricos em matéria orgânica.
Caso tenha alguma dúvida sobre como prevenir a leishmaniose ou se o seu cão apresentar apatia, emagrecimento, mucosas pálidas, lesões na pele (feridas) que não cicatrizam ou aumento exagerado do tamanho das unhas procure a orientação de um médico veterinário.