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Brasil

Niemeyer, mestre das estruturas curvilíneas, prepara-se para os 100 anos

Arquivo Geral

10/12/2007 0h00

O que atrai Oscar Niemeyer é a curva livre e sensual, viagra approved a curva que encontra nas montanhas do Brasil, shop no curso sinuoso de seus rios, story nas ondas do mar, nas nuvens do céu e no corpo da mulher preferida.

Este é o cartão de apresentação de Oscar Ribeiro de Almeida Niemeyer Soares (Rio de Janeiro, 1907), um dos professores da arquitetura do século XX e pioneiro do modernismo, movimento cuja principal característica é fazer da própria vida uma obra de arte.

“De curvas é feito todo o universo, o universo curvo de Einstein”, diz o arquiteto brasileiro, que em 15 de dezembro completa 100 anos de vida e continua ativo.

Criador de edifícios brancos e fluidos, o ganhador do prêmio Pritzker, o Nobel da Arquitetura, declara em seu site (www.niemeyer.org.br), para que não restem dúvidas: “Não é o ângulo reto que me atrai, nem a linha reta, dura, inflexível, criada pelo homem”.

“De um traço nasce a arquitetura. E quando ele é bonito e cria surpresa, ela pode atingir, sendo bem conduzida, o nível superior de uma obra de arte”, afirma o arquiteto, construtor e desenhista que em seus mais de 70 anos de carreira artística espalhou seu legado pelo mundo.

Esse momento de inspiração, quando uma idéia se impõe e se eleva até a categoria de obra de arte, é o que Le Corbusier alcançou, segundo Niemeyer, quando desenhou o Centrosoyus de Moscou, Picasso, com o croqui de Guernica, Einstein, com sua teoria da relatividade, e Manuel Bandeira, com seu verso sobre a morte: “Encontrará lavrado o campo, a casa limpa, a mesa posta, com cada coisa no seu lugar”.

Aluno do renomado modernista brasileiro Lúcio Costa e colaborador de Le Corbusier, Niemeyer sempre se manteve fiel a suas convicções comunistas e não ocultou sua admiração por Fidel Castro e a revolução cubana, “um exemplo para a América Latina”.

Convencido de que “a vida é mais importante que a arquitetura”, porta-bandeira das estruturas curvilíneas e profundamente humanista, recomenda a seus colegas que se limitem à aprendizagem de seu ofício, que se dotem de cultura geral e que leiam os clássicos e contemporâneos para compreender melhor sua época.

“Sempre pensei que um arquiteto de talento deve saber desenhar e escrever. Ele não poderá fazer nada de grande ou de belo se não possuir essas duas qualidades”, diz Niemeyer, cuja autobiografia acaba de ser publicada em inglês pela editora Phaidon.

O jornal “The Guardian” descreveu o livro como uma “obra esplêndida” de “um homem sagaz que escreve sem hipocrisias e desenha como um anjo picassiano”.

Na autobiografia, publicada primeiro em português e depois em francês, Niemeyer revela as paixões da vida e que são a chave de sua arquitetura: a filosofia, sua grande família, seus amigos, a terra sensual e o céu azul do Brasil, as mulheres, o comunismo, a arte e a literatura.

Sua prolífica obra está marcada pela construção de Brasília, cidade nascida do nada e da qual foi arquiteto-chefe.

Merecem destaque também o Museu de Arte Contemporânea de Niterói, a sede do Partido Comunista Francês, em Paris, o Centro Cultural de Le Havre, os escritórios da editora Mondadori em Milão e, em Argel, o zoológico, a Universidade de Constantino e o Ministério de Assuntos Exteriores.

Niemeyer, que diz desprezar o dinheiro e que teria “vergonha de ser um homem rico”, teve a generosidade de presentear Astúrias (Espanha), em 2005, com o projeto de um centro cultural que levará seu nome e que ficará junto à foz de Avilés.

O arquiteto recebeu em 1989 o Prêmio Príncipe de Astúrias pelo conjunto de sua obra.

O centro, cuja inauguração está prevista para 2010, fará parte do que está sendo chamado de “G8 da cultura”, uma aliança que incluirá o Centro Pompidou de Paris, o Barbican Center de Londres, o Lincoln Center de Nova York, a Ópera de Sydney, a Biblioteca de Alexandria, o Fórum Internacional de Tóquio e o Centro Cultural de Hong Kong, com o objetivo de programar eventos de forma coordenada.

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