A novela sobre a participação do ala/pivô Nenê com a seleção brasileira masculina de basquete no Torneio Pré-olímpico em Las Vegas não chegou ao fim, mas teve mais um capítulo na manhã deste domingo. O jogador do Denver Nuggets se reapresentou ao técnico Aluísio Ferreira, o Lula, e garantiu que defenderá a equipe nos Estados Unidos. Contudo, ele não treinou em quadra e admitiu que o pagamento de seu seguro permanece em aberto.
“Com contrato ou sem contrato eu vou jogar”, garante Nenê, que desembarcou no Brasil no início da manhã e foi direto para o Clube Pinheiros, onde a equipe treinava. O ala/pivô é um caso especial na epopéia da Confederação Brasileira de Basquete (CBB) para obter a liberação dos jogadores da NBA para o Pré-olímpico.
Além do seguro normal que a Liga norte-americana exige para todos os seus atletas, a CBB terá de pagar também uma cobertura específica para o joelho de Nenê. A exigência extra é resultado da cirurgia à qual o atleta foi submetido no joelho direito e que o deixou fora das quadras durante a temporada de 2005/06.
“Minha situação é mais complicada porque tive a cirurgia, tem a minha importância dentro do time (Denver) e todas estas coisas”, reconhece sem perder o otimismo. “Mas conversei com o responsável por isso em Denver e ele disse que eu vou jogar. Estão apenas aguardando o papel para me liberar”.
Assim como o seguro tradicional, a cobertura específica terá seu valor calculado com base no contrato do ala/pivô com a franquia do Colorado. “Acho que não corro o risco de ficar fora, vou jogar de qualquer jeito, mas tem de ter paciência”.
Nenê acredita que sua situação pode ser definida ainda nesta segunda-feira, mas não esconde certa irritação com a demora. “É difícil isso. Já expliquei para eles que o Pré-olímpico é muito importante e fica esta bagunça. Tudo isso vai me irritando”, desabafa, comparando seu caso com o de Carmelo Anthony. O ala/armador também teve problemas físicos, mas, de acordo com o brasileiro, não enfrenta os mesmos obstáculos para ser liberado.
A situação de Nenê não é a única na qual a pendência diz respeito ao pagamento do seguro. Sem contrato definido para a próxima temporada, Anderson Varejão segue nos Estados Unidos negociando seu futuro. Enquanto ele não tiver o contrato fechado, não é possível estabelecer seu seguro. O mesmo vale para Rafael Araújo. “Falta o Anderson ainda e espero que ele consiga, aí vamos ter todo mundo”, torce Nenê. O Pré-olímpico classifica seus dois finalistas para os Jogos Olímpicos de Pequim-2008.
Lula tem até dia 21 para definir a equipe que disputará a competição em Las Vegas, que começa no dia seguinte. O treinador pretende aguardar até o último momento pelos reforços. “Acima de qualquer coisa temos que pensar no que é bom para a seleção, na necessidade do time”, explica.
Antes do Pré-olímpico, o grupo disputa a Copa Tuto Marchand, em Porto Rico, que começa nesta quinta-feira, reunindo também as seleções da Argentina, Canadá e os donos da casa. A seleção deixa o Brasil nesta terça-feira.