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Brasil

MPF investiga registros da Caixa sobre poupança de escravizados

Órgão quer ampliar a busca por cadernetas e livros de conta corrente ligados a depósitos feitos por pessoas escravizadas no século 19

Redação Jornal de Brasília

17/05/2026 19h28

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

O Ministério Público Federal (MPF) investiga registros históricos da Caixa Econômica Federal que podem reunir informações sobre valores poupados por pessoas escravizadas no século 19, possivelmente destinados à compra de alforria. Até o momento, o órgão identificou 158 cadernetas de poupança abertas por escravizados no acervo histórico do banco e determinou que a Caixa forneça detalhes sobre esses registros financeiros.

Entre os dados solicitados pelo MPF estão a equipe que será envolvida na apuração, a metodologia que será adotada e a quantidade de livros de conta corrente disponíveis no acervo, com anotações de depósitos e saques feitos por ex-escravizados. Segundo a investigação, esses livros ainda registram a remuneração de juros de 6% a cada seis meses.

Em nota, a Caixa informou que tem contribuído com o Ministério Público Federal do Rio de Janeiro e que apresentou, dentro do prazo requerido, todas as informações solicitadas. O banco afirmou ainda que a guarda, conservação e pesquisa de seu acervo histórico é um processo contínuo e permanente, realizado por equipes multidisciplinares no âmbito da Caixa Cultural.

A apuração ocorre em meio ao esforço de pesquisadores para organizar e disponibilizar documentos do acervo histórico da instituição. A historiadora Keila Grinberg, responsável por uma estimativa da extensão desses materiais, afirmou que a tarefa envolve separar, verificar, catalogar, analisar e tornar disponível para a sociedade o conjunto de documentos. Segundo ela, o objetivo é digitalizar o acervo e criar instrumentos de busca para que pesquisadores e o público possam consultá-lo.

Os estudiosos ouvidos na reportagem destacam que ainda não há estimativas sobre quantas cadernetas de poupança foram abertas antes da abolição da escravidão, em 1888, nem sobre o destino do dinheiro. Para o historiador Itan Cruz Ramos, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), a iniciativa ajuda a romper com o silêncio histórico e com as dificuldades de localizar registros ligados à escravidão e à luta por direitos da população negra.

Com informações da Agência Brasil

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