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Brasil

Motorista que atropelou Rafael Mascarenhas diz que polícia fez "tortura psicológica"

Arquivo Geral

27/07/2010 8h26

Em novo depoimento ontem, Rafael Bussamra, de 25 anos, motorista que atropelou e matou o músico Rafael Mascarenhas, 18 anos, disse que foi impedido de registrar a ocorrência pelos PMs Marcelo Leal Martins e Marcelo Bigon, que pararam seu carro logo após o acidente.

 

Bussamra atropelou o músico, filho da atriz Cissa Guimarães, durante um suposto “racha” no Túnel Acústico, na Gávea, na Zona Sul do Rio de Janeiro, que estava interditado ao tráfego, na madrugada do último dia 20.
Segundo seu relato, o jovem ligou para o pai, o empresário Roberto Bussamra, a mando dos policiais, pedindo que o encontrasse. Após estacionar o carro amassado num posto de gasolina, Rafael entrou no veículo dos policiais. De lá foi levado à Rua Pacheco Leão (Jardim Botânico), lugar marcado para o encontro com o pai, que estava acompanhado de outro filho, Guilherme.

 

Lá, o sargento e o cabo teriam exigido pagamento pela “ajuda” prestada ao jovem. “Eles fizeram tortura psicológica. Disseram que tinham desfeito o local do atropelamento e feito um Brat (Boletim de Registro de Acidente de Trânsito) falso, informando a placa errada ao batalhão, e queriam saber o que o Roberto poderia dar em troca”, disse o advogado dos Bussamra, Spencer Levy.

 

“vamos ferrar vocês”

Seu irmão Guilherme insistiu em ir à delegacia, mas ouviu do sargento: “Se forem lá vão ferrar a gente, mas também ferramos vocês. Eu sei onde moram e tenho seus telefones. Se tentarem ir até lá, isso não vai ficar barato”.
Após cobrar R$ 10 mil para acobertar o caso, os PMs teriam ficado ao lado do carro, esperando o reboque, para garantir que a família não fosse à delegacia – em seu depoimento, o pai disse que chegou a lhes dar R$ 1 mil.

 

A movimentação dos carros da PM e do pai de Rafael Bussamra foi registrada por câmeras de segurança da TV Globo. As imagens, gravadas na madrugada do crime, mostram um Gol da PM indo ao suposto encontro. Depois, vê-se o carro voltando, seguido por um Celta prata, que seria o de Roberto Bussamra.
 

 

Rafael morreu na madrugada da terça-feira da semana passada, após ser atropelado quando andava de skate no Túnel Acústico, que estava com um trecho fechado para manutenção.

 

Leia mais na edição desta terça-feira (27) do Jornal de Brasília.

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