FRANCISCO LIMA NETO
FOLHAPRESS
Um motorista de 30 anos furou o sinal vermelho e atropelou um pedestre de 57 anos que atravessa a via na faixa de pedestre, na zona leste de São Paulo. O condutor fugiu sem prestar socorro e a vítima morreu ainda no local.
O caso ocorreu na avenida Governador Carvalho Pinto, na Penha, na manhã de quinta-feira (27).
A vítima é o pedreiro Carlos Roberto Batista Brito, que seguia para o trabalho quando foi atingido.
Imagens que circulam nas redes sociais mostram quando o pedestre aguarda na faixa antes de atravessar.
Ele olha o sentido do fluxo de veículos e inicia a travessia. Quando está no meio da via, percebe a aproximação do carro e tenta correr, mas é atingido.
O motorista do veículo não para.
Policiais militares e o Samu foram chamados por testemunhas. Segundo a SSP (Secretaria da Segurança Pública), pessoas que que estavam no local relataram aos agentes que o veículo avançou o sinal vermelho. A vítima recebeu os primeiros-socorros, mas morreu no local.
Uma testemunha identificada como Hércules, disse ao Bom Dia SP, da TV Globo, que o motorista estava em alta velocidade e jogou a vítima a cerca de 80 metros de distância.
Ele contou que enquanto um socorrista parou para prestar ajuda, ele foi atrás do motorista para anotar a placa e as características do veículo. Ele afirmou que durante a fuga, o motorista bateu em outros veículos.
De acordo com a SSP, o homem foi identificado e a polícia encontrou o veículo apontado como envolvido no atropelamento em uma garagem na rua Santo Antero, no mesmo bairro.
O responsável pelo automóvel é investigado.
A perícia foi acionada e o caso foi registrado no 24º Distrito Policial (Ponte Rasa).
Marta Carlos dos Santos Brito, esposa da vítima, pediu por justiça.
“Ele era uma pessoa muito trabalhadora, tanto que ele morreu indo trabalhar.
É uma injustiça muito grande. Até quando vai ficar o povo atropelando as pessoas e saindo impune? A gente está sem justiça aqui no Brasil. Ele foi uma vítima, mas tem vários outros que já foram. Os familiares perdem seu entes queridos e fica por isso mesmo”, disse à TV Globo durante o velório.
“A gente não está dirigindo só por nós, está dirigindo por todos em volta. Antes de vocês pegarem um carro e sair por aí desgovernado, pense na família do próximo que pode perder seu ente querido. Meu pai tinha 57 anos e não merecia morrer dessa forma”, disse emocionada, Larissa dos Santos Brito.
ATROPELAMENTOS CRESCEM NA CAPITAL PAULISTA
O número de pessoas mortas por atropelamento nos cinco primeiros meses do ano na cidade de São Paulo é o maior no período desde 2017.
Segundo dados do Infosiga (sistema estadual que mede a letalidade no trânsito paulista), de janeiro a maio 169 pessoas morreram vítimas de atropelamentos na capital paulista.
O número é inferior apenas aos 215 casos de 2015, quando a estatística começou a ser computada pelo governo estadual, e aos 174 óbitos de 2017.
Na comparação com janeiro a maio do ano passado (154 óbitos), a alta das mortes por atropelamento foi de 10% -no período, o avanço na frota de veículos registrada na capital foi bem menor, de 2%, passando de 9,9 milhões para 10,1 milhões.
Questionada sobre os dados em junho, a gestão Ricardo Nunes (MDB) disse que a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) tem implementado ações para garantir a segurança dos usuários.
Para pedestres, citou a criação de áreas calmas, com velocidade máxima permitida de 30 km/h, rotas escolares seguras e redução do limite de velocidade de 50 km/h para 40 km/h em 24 vias.
A administração municipal também mencionou aumento do tempo de travessia, implantação de mais de 10 mil novas faixas de pedestres, colocação de travessias elevadas em locais estratégicos e implantação de minirrotatórias.
Motorista fura sinal, atropela e mata pedestre na faixa na zona leste de São Paulo
Testemunha afirma que motorista estava em alta velocidade e jogou a vítima a cerca de 80 metros de distância
Foto: Reprodução