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Brasil

Médicos acreditam ter curado paciente soropositivo com células-tronco

Arquivo Geral

15/12/2010 20h04

Uma equipe médica acredita ter conseguido curar um homem infectado com HIV e doente de leucemia, submetido há três anos a um transplante de medula com células-tronco.

“Nossos resultados sugerem que o paciente se curou do vírus de HIV”, indicam os autores no estudo publicado no número de dezembro da revista científica “Blood”, que ratifica um relatório anterior sobre o tema publicado em fevereiro de 2009.

Timothy Ray Brown, também conhecido como o “paciente de Berlim”, se submeteu em 2007 a um complicado tratamento para combater uma leucemia mieloide, um tipo de câncer que afeta o sistema imunológico.

O tratamento incluiu o transplante de células-tronco de um doador portador de um gene hereditário pouco comum, associado com a redução do risco de contrair HIV.

Os médicos selecionaram as células-tronco do tipo denominado CD4 que não possuem o receptor CCR5, necessário para que o vírus se propague pelo organismo.

Antes do transplante, Brown se submeteu a altas doses de quimioterapia e radioterapia, e após receber o transplante deixou de tomar os antirretrovirais contra o HIV.

Brown teve uma recaída da leucemia 13 meses depois e foi submetido a outro transplante de células-tronco do mesmo doador.

Os médicos pensaram que o HIV arquivado nas células do paciente começaria a se proliferar uma vez que seu sistema imunológico começasse a se recuperar do tratamento anterior e posterior ao transplante.

O caso foi reportado pela primeira vez durante a 15ª Conferência sobre Retrovirus e Infecções Oportunistas (CROI) em Boston, em 2008, pelos médicos que realizaram o tratamento proposto pelo doutor Gero Huetter.

Em 2009, o “The New England Journal of Medicine” informou que após 20 meses sem tomar os antirretrovirais o paciente não havia novos sinais de HIV e a revisão de seu estado, publicada agora pela equipe médica, assegura que três anos depois do transplante “seu sistema imunológico recuperou uma saúde normal”.

Embora a evolução do paciente continue sendo observada e ainda não seja possível dizer como responderá no futuro, este caso poderia abrir o caminho para uma cura permanente do HIV através de células-tronco geneticamente modificadas.

No entanto, também há facultativos que advertem que se trata de um tratamento custoso e “arriscado”, que não pode ser aplicado em todos os pacientes e não é uma cura definitiva para a aids.

O doutor Michael Saag, da Universidade do Alabama em Birmingham (EUA), assinalou em declarações a “CNN” que “é uma prova interessante sobre como medidas extremas podem levar à cura do HIV”.

No entanto, considerou que “infelizmente, é muito arriscada para se transformar em um tratamento padrão, inclusive para encontrar os doadores corretos”, disse.

O médico assinalou que as células com as quais Brown foi tratado provêm de um doador com uma mutação genética natural pouco frequente e muito difícil de encontrar.

Saag adverte, além disso, que o caso de Brown é particular já que era um paciente com câncer e HIV, por isso não recomendaria que pacientes sadios se submetessem a um tratamento tão agressivo.

Neste sentido, lembrou que os atuais remédios para tratar o HIV permitem aos pacientes infectados ter uma “vida normal” durante anos.

“Uma pessoa de 25 anos diagnosticada atualmente com HIV tem uma probabilidade razoavelmente boa de viver até os 80, 85 ou 90” anos, assegurou.

Segundo dados da ONU, atualmente 33,3 milhões de pessoas no mundo vivem com o vírus do HIV.

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