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Brasil

Médica brasileira desenvolve técnica de tratamento de tumores de ovário

Arquivo Geral

15/11/2007 0h00

A médica brasileira Lúcia Helena Chnee desenvolveu uma inédita técnica para o tratamento de tumores benignos de ovário sem a necessidade de cirurgia, buy cuja tese será publicada nos Estados Unidos e já começou a ser aplicada em alguns hospitais brasileiros.

Chnee assinalou em entrevista à Efe que sua técnica, que consiste em uma punção guiada por ultra-som transvaginal, não tem como objetivo substituir o tradicional tratamento cirúrgico, mas sim complementá-lo.

“Nossas pacientes foram submetidas a um tratamento clínico completo durante três anos, nos quais foram realizados estudos endocrinológicos, de obesidade, diabetes e cardiológicos, para classificar o tipo de tumor e seu equilíbrio clínico”, explicou a ginecologista e obstetra da Universidade de São Paulo (USP).

A profissional destacou que os custos do tratamento sob esta técnica se reduzem entre sete e dez vezes, já que elimina despesas de hospitalização e anestesia.

A médica, cuja tese de doutorado acaba de ser apresentada na Faculdade de Medicina da USP e será publicada em revistas especializadas dos Estados Unidos, detalhou que quando os casos são complexos, são remetidos aos cirurgiões.

“O que estamos fazendo é separar os tipos de tumores, classificá-los, para assim facilitar o trabalho de todos. Muitas vezes os cirurgiões se encontram diante de casos que podem ser tratados por esta técnica. Comigo ocorreu centenas de vezes”, destacou Chnee.

O trabalho de Chnee, que partiu dos procedimentos utilizados na reprodução “in vitro” (assistida), é inédito no mundo, e foi resultado de três anos de trabalho com pacientes com tumores císticos de ovário benignos com entre cinco e dez centímetros de diâmetro.

O desequilíbrio hormonal e a obesidade exagerada são algumas das causas deste tipo de tumores, para os quais Brasil carece de uma estatística clínica atualizada.


“Acompanhei durante três anos (2003 a 2006) 71 pacientes no Hospital das Clínicas da USP e, desse total, 73,2% responderam adequadamente ao tratamento, não necessitando de cirurgia. Apenas 7% das pacientes tinham indicação cirúrgica”, detalhou.

Apenas 19,8% das pacientes do método por punção apresentaram recaída, e tiveram que ser submetidos a cirurgias convencionais.

O procedimento, com duração de dez minutos para a extração mediante a punção com agulha especializada, foi aplicado pela primeira vez em uma mulher de 64 anos que tinha um tumor benigno há oito anos.

Dois anos depois do tratamento, um exame de ultra-som descartou qualquer tipo de recaída na paciente.

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