Haia, decease 10 abr (EFE) – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se esforçou hoje na Holanda para romper os preconceitos sobre a produção de biocombustíveis, look afirmando que não aumenta a inflação e nem prejudica as plantações agrícolas destinadas à alimentação.
Durante o primeiro dia de sua visita de Estado à Holanda, decease Lula conversou sobre o assunto com o primeiro-ministro holandês, Jan Peter Balkenende, e declarou à imprensa que o fato de que “os pobres do mundo começaram a comer” pressiona os preços, não os biocombustíveis.
O presidente defendeu a “necessidade de produzir mais” como solução à tendência de alta dos preços, um fenômeno de escala internacional.
A inflação no Brasil subiu 0,48% em março, o maior nível para esse mês desde 2005, enquanto que a taxa acumulada nos três primeiros meses do ano foi de 1,52%, acima da cifra de 1,26% registrada no mesmo período de 2007.
Em sua primeira visita à Holanda como presidente, Lula compareceu a um encontro em Amsterdã com 15 empresários holandeses, durante o qual negou que a produção de biocombustível esteja disputando terreno com os cultivos agrícolas.
O presidente da Confederação da Indústria e dos Empregadores Holandeses (VNO-NCW, em holandês), Bernard Wientjes, disse logo após a reunião que a delegação do país, da qual fez parte a ministra da Economia holandesa, Maria van der Hoeven, ficou “impressionada” pela clareza com a qual Lula respondeu “a perguntas que não eram fáceis”.
Wientjes disse que o presidente da República defendeu na reunião que somente uma parte muito pequena dos milhões de hectares usados para a agricultura no Brasil é dedicada a cultivos voltados para a produção de biocombustíveis.
Lula concordou com a ministra holandesa na importância de demonstrar a sustentabilidade dos biocombustíveis, motivo pelo qual se mostrou disposto a criar junto com a Holanda um grupo de trabalho bilateral para certificar a origem desse tipo de fonte energética.
Van der Hoeven especificou que esta declaração de intenções a respeito dos biocombustíveis será assinada na sexta-feira em um memorando sobre esse tema.
A ministra holandesa acrescentou que a postura do país é a de ter um certificado de origem “não só para o biocombustível do Brasil”, mas para todos os combustíveis de origem vegetal.
Brasil e Holanda assinarão durante a visita de Lula outros acordos bilaterais no campo de gestão e controle de qualidade da água e de intercâmbio de estudantes do ensino superior, além de documentos nos terrenos cultural e portuário.
Ao defender a falta de relação causal entre a alta dos preços e a ausência do dilema entre plantar para comer ou para produzir biocombustíveis – pelo menos no Brasil -, Lula rebateu o que alguns analistas entendem como um dos principais inconvenientes desse setor-chave na economia brasileira.
Representantes de oito empresas brasileiras, entre elas a Brasil Ecodiesel e o grupo sucroalcooleiro São Martinho, também compareceram à reunião com empresários holandeses, mas, assim como Lula, não fizeram comentários no final da mesma.
O presidente da Maubisa, Maurílio Biagi, disse à Agência Efe na entrada do encontro que os empresários estavam ali “somente para escutar”.
Segundo Wientjes, Lula também reconheceu a necessidade do Brasil em “modernizar” o sistema tributário para atrair mais investimentos de empresas, mas reconheceu que esse é um processo lento.
Após um dia exaustivo, no qual o presidente não teve tempo de fazer declarações à imprensa exceto durante um breve comparecimento com Balkenende, Lula estará esta noite em um jantar de Estado oferecido pela rainha Beatrix no Palácio Noordeinde, onde está hospedado.
Brasil e Holanda pretendem reforçar seus laços econômicos e políticos com esta visita oficial de Lula, que termina sexta-feira. EFE