O presidente Luiz Inácio Lula da Silva apelou hoje (22) para que o presidente do Líbano, Michel Sleiman, colabore para o processo de paz no Oriente Médio. Para Lula, a cooperação envolve a busca por soluções de impasses envolvendo palestinos e israelenses e as “indefinições” sobre o programa nuclear do Irã. Porém, o presidente brasileiro afirmou que a falta de definições sobre as questões nucleares iranianas é um impedimento a um acordo de paz.
“Nem haverá conforto para o sofrido povo libanês enquanto perdurar o conflito árabe-israelense, a questão dos refugiados palestinos e as indefinições sobre o programa nuclear iraniano”, afirmou o presidente ao receber o libanês para reuniões de trabalho e almoço no Palácio Itamaraty, em Brasília.
Lula disse que confia no diálogo como meio de obter a paz e, por isso, estará em visita oficial ao Irã, no próximo mês. “Estou convencido de que a paz está ao nosso alcance. É com a mesma confiança no diálogo que irei, em maio, a Teerã [a capital iraniana].”
Sleiman reagiu ao apelo de Lula afirmando que seu país “precisa do apoio da comunidade internacional” para evitar os ataques israelenses e disse que o sofrimento dos palestinos é “desumano”. “Temos de trabalhar em busca do entendimento e do diálogo para conseguir resultados sem diálogo”, disse o presidente libanês. Ele afirmou ter receio de novos ataques israelenses e reclamou dos territórios libaneses ocupados por Israel e das ameaças terroristas.
Lula classificou como fundamental a participação do governo libanês no processo de discussão por um acordo de paz e harmonia. Sleiman retribuiu apoiando indiretamente a reforma do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). “O Líbano é um exemplo de tolerância e prosperidade para todo o Oriente Médio”, disse ele. “Não haverá reconciliação na região [Oriente Médio] sem um Líbano vivendo em harmonia com seus vizinhos [Síria e Israel].”
Na última sexta-feira (16), o libanês convocou uma reunião de emergência em meio à ameaça de acirramento da crise causada pela acusação dos israelenses de que os sírios estavam colaborando para o aparelhamento da organização política e paramilitar Hezbollah – que participa do governo de União Nacional do Líbano.
Assim como o governo brasileiro, o presidente libanês defende a reforma do Conselho de Segurança da ONU – formado por cinco países permanentes e dez temporários, atualmente o Brasil é um deles. Um dos esforços de Lula é para que o Brasil ocupe um assento fixo no conselho. Para Sleiman, é uma questão de “justiça” promover a reforma do órgão.