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Brasil

Lula e Mujica defendem consolidação da América do Sul como zona de paz

Arquivo Geral

30/07/2010 16h39

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o líder uruguaio, José Mujica, defenderam hoje a consolidação da América do Sul como uma zona de paz em reunião realizada na fronteira comum, na qual assinaram vários acordos bilaterais.

“No âmbito da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), esperamos aprofundar entendimentos para construir uma visão comum de defesa e segurança na região, que consolide a América do Sul como zona de paz e de democracia”, afirmou Lula em breve discurso pronunciado após a reunião.

Sem citar nenhuma crise em particular nem fazer referência à reunião que os chanceleres dos países da Unasul realizaram ontem em Quito para analisar a crise Caracas-Bogotá, Lula disse que “Uruguai e Brasil querem uma América do Sul sem conflitos e integrada”.

O Governo venezuelano rompeu relações diplomática com a Colômbia na semana passada, depois de Bogotá afirmar, na Organização dos Estados Americanos (OEA), que na Venezuela há 1,5 mil guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e do Exército de Libertação Nacional (ELN).

Lula e Mujica se encontraram na cidade fronteiriça uruguaia de Rivera, inauguraram na fronteira uma placa comemorativa da reunião e depois se reuniram na vizinha cidade brasileira de Santana do Livramento, no Rio Grande do Sul.

Tanto Lula como Mujica citaram como exemplo a convivência de brasileiros e uruguaios nessas duas cidades, unidas por ruas em que as fronteiras praticamente não existem.

“Talvez em uns 100 anos todas as fronteiras da América Latina sejam como as de Santana e Rivera. É provável que as fronteiras políticas que conhecemos se diluam no tempo”, disse Mujica.

Segundo Lula, a região fronteiriça visitada hoje “é símbolo da amizade entre os dois países por abrigar pessoas de duas nacionalidades que aprenderam a viver no mesmo espaço”.

Os dois também comentaram o inédito acordo de cooperação no âmbito de defesa assinado hoje e suas próprias relações de amizade como exemplos do que esperam para toda a América do Sul.

“Quando nossos ministros tiverem divergências, por favor olhem o grau de amizade entre o presidente Mujica e o presidente Lula e façam as pazes, porque só assim vamos melhorar a vida dos dois povos”, afirmou Lula.

Mujica ressaltou esperar que toda a América Latina aprenda a ser negociadora como o presidente brasileiro.

“Não sei quanto tempo de vida me resta pela frente, mas será pouco para poder agradecer o tanto que, sem que você tenha se dado conta, você fez para a história da América Latina”, afirmou o uruguaio em discurso que encheu de lágrimas os olhos de Lula.

Mujica reiterou sua defesa à integração sul-americana que permita “construir uma gigantesca nação”.

Segundo ele, o Uruguai, que alguns quiseram transformá-lo no passado em ‘Estado-tampão’ (entre Brasil e Argentina), está disposto a ser um “Estado ponte”.

“Para ser alguém em um mundo internacional que se globaliza, temos de nos juntar ao Brasil, à Argentina e aos demais países da região”, disse.

Além de um acordo de cooperação em Defesa, assinaram um convênio para avançar na construção de uma hidrovia que unirá os dois países, um memorando sobre pesca e um acordo de cooperação científica, tecnológica, acadêmica e de inovação.

Também conversaram sobre uma nova linha de transmissão elétrica, a integração das redes ferroviárias na fronteira, a construção de uma nova ponte sobre o rio Jaguarão e a implantação da hidrovia Uruguai-Brasil.

Após a reunião com Mujica, Lula viajou ao Paraguai, onde hoje se reunirá com o presidente Fernando Lugo.

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