Menu
Brasil

Lula e Cristina querem mais reuniões, mais coordenação e mais integração

Arquivo Geral

19/11/2007 0h00

A presidente eleita da Argentina, cheap Cristina Fernández de Kirchner, e o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, acertaram hoje que vigiarão de perto o andamento dos processos de integração e os dotarão de metas “concretas” e “quantificadas”.

Cristina Fernández, que receberá a Presidência da Argentina no dia 10 de dezembro das mãos de seu marido, Néstor Kirchner, esteve hoje em Brasília e cumpriu assim a promessa que sua primeira visita “de caráter bilateral” no caso de ganhar as eleições seria ao Brasil.

“Cumprimos com a palavra empenhada”, declarou a jornalistas após uma reunião privada com Lula à qual, durante meia hora, se reuniram ministros do Governo brasileiro e membros do futuro gabinete de Cristina.

A presidente eleita explicou que durante a reunião foi acertada a criação de uma comissão bilateral, que deverá reforçar às já existentes, e que haverá reuniões dos dois Governos duas vezes ao ano, presididas por ela e Lula.

“A integração avança, mas deve ser (dotada) com resultados concretos e quantificados”, que possam ser “exibidos e percebidos” pelas sociedades, declarou Cristina Fernández.

Em sua opinião, tanto no bilateral como no regional, os processos de integração devem ter “metas, prazos e objetivos”, para evitar a percepção de que as reuniões presidenciais e as de ministros são movidas apenas pelo que qualificou de “reunionismo”.

Segundo Cristina, apesar da integração ser uma realidade, deve ser “reordenada” e “reorganizada” com a meta de torná-la mais efetiva e que seus lucros e avanços realmente sejam sentidos pelos povos.

No plano regional, Fernández disse que concordou com Lula em que devem ser fortalecidos os blocos existentes, como o Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai), pois nessa direção se movimenta a comunidade internacional.

“O mundo se dividirá em blocos” e tanto a América do Sul como o resto da América Latina devem estar preparados para essa realidade, afirmou.

A esposa e sucessora do presidente da Argentina chegou a Brasília com os atuais ministros das Relações Exteriores, Jorge Taiana; de Planejamento, Julio de Vido, e Defesa, Nilda Garré, os quais já ratificou em seus cargos.

Além disso, a acompanharam o chefe de gabinete, Alberto Fernández, e o porta-voz Miguel Núñez, que também conservarão esses postos no novo Governo.

A ocasião serviu, além disso, para apresentar os futuros ministros de Economia, Martín Lousteau, e Ciência e Tecnologia, Lino Barañao, que farão parte do próximo Governo argentino.

Pelo lado brasileiro tomou a palavra o assessor para Assuntos Internacionais de Lula, Marco Aurélio Garcia, que concordou com Cristina em que foi uma reunião “excelente”, na qual puderam ser abordados “todos” os assuntos da agenda bilateral e regional.

Segundo García, uma das decisões mais importantes adotadas hoje é que haja “metas e prazos que os presidentes possam avaliar a cada seis meses”.

Explicou que, entre os vários assuntos abordados, se falou da idéia de que os pagamentos do comércio entre Argentina e Brasil sejam feitos em moedas locais e não em dólares, como ocorre agora.

Esse assunto, disse García, continuará sendo aprofundado durante a cúpula semestral do Mercosul, que será realizada em Montevidéu em meados de dezembro, embora tenha esclarecido que ainda não tenha se estabelecido uma data para que o mecanismo entre em vigor.

Em relação à energia, um assunto “estratégico” para ambos os países, García disse que Lula “insistiu na necessidade de uma maior cooperação entre (as estatais) Enarsa e Petrobras, inclusive na prospecção de águas profundas” nos dois países.

O assessor explicou que se falou de uma maior cooperação nas áreas nuclear, espacial, industrial e de defesa, “entre tantos tópicos que fazem parte da relação bilateral” que serão aprofundados nas próximas reuniões entre Lula e Fernández.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado