O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou hoje que a notícia de que o Governo cubano começou a libertar presos políticos o alegrou tanto quanto quando ele próprio saiu da prisão, em 1980, durante o regime militar.
“Fiquei tão feliz que os cubanos soltaram os presos como fiquei feliz quando fui solto da cadeia em maio de 1980”, afirmou Lula, em entrevista coletiva que concedeu hoje em Brasília depois de participar da IV Cúpula Brasil-União Europeia (UE).
“Deus queira que todos os países soltem os que são considerados presos políticos”, acrescentou o presidente, que parabenizou tanto a Igreja Católica cubana quanto o Governo da Espanha pelo papel que tiveram na libertação.
As declarações de Lula coincidem com a chegada a Madri de outros dois presos libertados em Cuba, que se juntaram aos sete que já tinham chegado na terça-feira à Espanha.
O regime cubano se comprometeu a libertar 52 presos gradualmente em um prazo de quatro meses, uma decisão que inscreve-se no diálogo aberto com a Igreja Católica e que conta com o apoio do Governo espanhol.
“Mas é importante reconhecer que tudo isto não é alcançado com pirotecnia”, acrescentou Lula, ao destacar o intenso trabalho diplomático anterior às libertações.
Na mesma entrevista coletiva, o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, afirmou que a UE espera a libertação de todos os presos políticos em Cuba e que essa é uma das condições para normalizar as relações com o Governo cubano.
“Acompanhamos todos os esforços e esperamos que permitam a libertação de todos os presos políticos”, afirmou Durão Barroso.
O presidente da Comissão Europeia disse que a UE pretende manter abertos seus canais de diálogo, “mas é essencial que Cuba respeite os direitos humanos”.
A libertação dos presos políticos é uma “condição importante para normalizar nossa relação com Cuba”, disse.