Preso preventivamente na quarta (4), Marilson Roseno da Silva é escrivão aposentado da Polícia Federal (PF) lotado em Belo Horizonte, apontado pela própria PF como “um dos principais operadores” do grupo “A Turma”, que reunia Daniel Vorcaro, dono do Master, e outras duas pessoas alvos da segunda fase da Operação Compliance, usando “experiência e contatos (…) da carreira policial para auxiliar na obtenção de dados sensíveis e na realização de atividades de vigilância e monitoramento” dos alvos de Vorcaro.
As atividades de Marilson, porém, podem ir além do que o abarcado na investigação. Ele trabalhou na PF entre 2008 e 2022, segundo o Portal da Transparência – conforme as redes do escrivão aposentado, entretanto, ele entrou na PF em 1996. Marilson tem CNPJ ativo para a firma Roseno & Ribeiro Gestão Empresarial, com capital social de R$ 15 mil e endereço no bairro Santa Efigênia, em Belo Horizonte.


Como atividade, foram cadastrados “produção de filmes para publicidade”, “corretagem na compra e venda e avaliação de imóveis” e “treinamento em desenvolvimento profissional e gerencial”, entre outras especialidades. O e-mail cadastrado na Receita Federal (RFB), porém, aponta para uma empresa batizada como Acrópole Contabilidade, também com sede na capital mineira, mas localizada no bairro Floresta.
O Jornal de Brasília entrou em contato com o número apontado para contato na RFB em nome da Roseno & Ribeiro. Na outra ponta da linha, um homem se identificou como Helder, mas, ao saber o teor da ligação, rejeitou a conversa e disse que era o contador da empresa de Marilson. Ele também é administrador da Acrópole Consultoria e Assessoria Contábil LTDA., que tem capital social de R$ 15 mil e não consta como sociedade de Marilson. Ainda assim, o Helder da ligação é identificado como Helder Alves de Lima, contador em cujo perfil nas redes exibe a logomarca da empresa.


Cabe ressaltar que a companhia não é investigada pela PF. Ainda assim, tem relação com o homem preso em Belo Horizonte por supostamente fazer parte do esquema de Vorcaro. Como dito, Helder encerrou o contato no momento em que a reportagem se apresentou como tal. O JBr. ainda enviou questionamentos por mensagem, mas não obteve retorno até o fechamento deste texto. A defesa de Marilson não foi localizada. O espaço, como de costume, está aberto para manifestações.