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Brasil

Leandro Grass sobre gestão no Iphan: “está mais perto das pessoas”

Pré-candidato ao GDF, petista prestou contas dos investimentos e das ações da autarquia durante os últimos quatro anos

Olavo David

17/03/2026 18h59

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Presidente do Iphan, Leandro Grass (PT) vai deixar o cargo para concorrer ao Palácio do Buriti nas Eleições de outubro. Agência Brasil/EBC

O presidente do Instituto do Patrimônio Artístico e Artístico Nacional (IPHAN), Leandro Grass, fez um balanço de sua gestão no instituto dando destaque às adaptações necessárias da preservação do patrimônio histórico às mudanças climáticas. Em coletiva na sede da autarquia, Grass pontuou que a conservação da história não é o contrário de inovações tecnológicas para a crise do clima. “No caso do patrimônio material, da história das cidades, houve um trabalho com várias prefeituras para aumentar a resiliência urbana”, pontuou. 

Grass destacou também a atualização de normas para que os imóveis possam receber placas solares em locais específicos, por exemplo. “O Iphan inovou em Diamantina [MG], ao permitir e orientar que é possível ter energia renovável nos centros históricos, com implementação de material próprio e adequado às estruturas”, destacou. “O caso do patrimônio imaterial é mais perverso, na medida em que põe em risco a vida dessas comunidades tradicionais ou a própria produção, como acontece com a culinária”. 

Presente na coletiva, o secretário-executivo do Ministério da Cultura, Márcio Tavares dos Santos, pontuou que já nas enchentes do Rio Grande do Sul, em 2024, foi considerado um marco para a posição do patrimônio histórico na crise climática. “Durante o G20 [em 2025] tivemos um seminário internacional a respeito do patrimônio e de soluções comuns entre as maiores economias do mundo para a proteção do seu patrimônio. Naquele momento conseguimos que a Defesa Civil passasse a considerar o Patrimônio Histórico e Cultura como um item que também pode ser objeto dos recursos de recuperação da Defesa Civil”, explicou o gestor. 

As ações também passam pelo projeto “Conviver”, que estimula, por meios educativos e financeiros, a boa gestão do patrimônio junto a pessoas de baixa renda que vivem em ambientes tombados. De acordo com a autarquia, houve recorde no investimento em patrimônio imaterial, com mais de R$ 44 milhões injetados na área. Outros R$ 4 milhões foram para prêmios para ações de preservação, além da reforma do Palácio Capanema, no Rio de Janeiro, obra de R$ 84 milhões. Houve também o investimento de R$ 6 milhões em educação patrimonial. “Pensamos o patrimônio histórico como exercício de memória e autorreconhecimento”, sinalizou. 

“Tudo muito largado”

Grass comemorou o “avanço no reconhecimento dos patrimônios”. Dados do Iphan mostram que, de 2023 a 2026, houve 37 titulações por parte do órgão, mais da metade dos 71 reconhecidos nos últimos dez anos – período que engloba os governos de Michel Temer (MDB, 2016-2018), Jair Bolsonaro (PL, 2019-2022) e o atual, do presidente Lula (PT), que se encerra ao final do ano. 

Chama atenção nos dados a ausência de ações em 2023, primeiro ano de Grass à frente do órgão. De acordo com o presidente, foi necessária uma reorganização da instituição antes de começar o trabalho efetivo. “O maior desafio foi recuperar a autoestima da instituição, estava tudo muito largado. O próprio Ministério [da Cultura] havia sido extinto. Trouxemos o protagonismo de volta ao Iphan”, comentou. 

A gestão que se encerra no início de abril assumiu em 9 de janeiro de 2023, logo após os atos de vandalismo que destruíram os palácios dos três Poderes. “Em relação ao 8 de janeiro, tivemos a recuperação das 20 peças do Palácio do Supremo Tribunal Federal. Tivemos a reparação das praças dos Três Poderes, destaque aqui do centro, uma obra com recursos da Lei de Incentivo à Cultura, a Lei Rouanet, com a participação de BNDES e da Petrobras”, pontuou o presidente. 

Brasília 

Candango, ex-deputado distrital e pré-candidato ao governo do Distrito Federal, Grass indicou que o trabalho à frente do Iphan também foi uma oportunidade de ver a capital por outros olhos. “O Iphan tem tudo a ver com Brasília. É a maior área tombada e patrimonializada do mundo, mas não é só. O Iphan atuou para além dessa área”, disse, citando celebrações marcadas para esta semana em Brazlândia e Planaltina. De fato, Brasília lidera a Lista de Bens do Patrimônio Mundial da Unesco, o braço da ONU para a Educação, com 112,25 km² de área tombada. 

O presidente do Iphan pontuou, porém, que a sua gestão não se limitou ao Plano Piloto, a área tombada pela Unesco. “Estamos usando as escolas públicas do DF, trabalhando com as crianças para que elas indiquem o que é patrimônio nas suas comunidades. Tivemos resultados importantes nas outras regiões”, disse. “Brasília é a síntese do Brasil. E, enquanto capital, tem que dar o exemplo”, vaticinou. Essa, segundo ele, é uma das marcas de sua gestão. “O Iphan atuou nessa relação com o ecossistema do patrimônio, uma conexão mais próxima com as pessoas”, celebrou. 

“Aberto ao diálogo”

Grass celebrou o período à frente do órgão como a maior experiência profissional no currículo. À frente do órgão, contou, ele teve de dialogar não só com a sociedade, “tornando o Iphan um órgão aberto ao diálogo”, mas também com prefeitos e governadores, mesmo aqueles da oposição ao governo petista. “O presidente Lula falou no primeiro dia de mandato que não importa quem é o prefeito ou o governador, nem os partidos deles, nós temos que conversar com todos”, explicou. “Para mim, foi uma grande experiência. Qualquer governante tem que ter espírito público se realmente quiser fazer seu trabalho”, finalizou. 

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