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Brasil

Justiça concede liminar e suspende demissão de delegado Da Cunha da Polícia Civil

TJ negou suspender a demissão em um primeiro momento, mas reconsiderou a decisão nesta quinta-feira

Redação Jornal de Brasília

03/09/2026 17h38

cunha delegado

Foto: Reprodução

ANDRÉ FLEURY MORAES E ROGÉRIO PAGNAN
FOLHAPRESS


O Tribunal de Justiça de São Paulo suspendeu nesta quinta-feira (3) a demissão do delegado da Polícia Civil Carlos Alberto da Cunha, famoso pela alcunha Delegado da Cunha.

A decisão saiu às 15h43 desta quinta, horas após a exoneração do delegado ter sido publicada feira no “Diário Oficial” do estado. A demissão, segundo a portaria, se deu a bem do serviço público.

Da Cunha tentava barrar uma possível exclusão dos quadros da Polícia Civil desde 31 de agosto, quando entrou com o pedido na Justiça. O TJ negou suspender a demissão em um primeiro momento, mas reconsiderou a decisão nesta quinta-feira.

Na avaliação do desembargador Álvaro Torres Júnior, as informações levadas pela defesa de Da Cunha “recomendam, por ora, a preservação do estado atual, diante do risco de consumação do ato administrativo antes da apreciação mais aprofundada da controvérsia”.

A decisão proíbe o governo estadual de “formalizar, publicar ou dar execução ao ato administrativo que aplica ao impetrante a penalidade de demissão a bem do serviço público, até ulterior decisão nestes autos”.

Em outras palavras, Da Cunha segue no cargo até que o TJ julgue a ação ajuizada por ele em caráter definitivo.

O processo que levou o delegado a perder o cargo está relacionado ao sequestro de um homem, em julho de 2020. A vítima havia sido levada por criminosos para um chamado “tribunal do crime” na favela da Nhocuné, na zona leste de São Paulo, quando a polícia foi chamada.

Segundo depoimentos da vítima e de policiais que participaram da ocorrência, dois agentes localizaram o cativeiro, prenderam o sequestrador e libertaram a vítima.

Da Cunha, contudo, teria ordenado que a pessoa fosse colocada novamente dentro do imóvel, na presença do criminoso, para que a operação fosse reencenada diante das câmeras de uma equipe levada do próprio policial.

Na gravação, Da Cunha aparece ouvindo atrás da porta do barraco e, em seguida, comandando a invasão do imóvel, como se fosse o responsável pela descoberta do cativeiro, pela prisão do suspeito e pelo resgate heroico. As imagens foram distribuídas a emissoras de televisão e publicadas nas redes sociais do delegado, ajudando a alavancar o canal que crescia para atingir milhões de seguidores.

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