SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS)
A Justiça da Bahia autorizou nesta segunda-feira (26) a transferência do empresário, preso 23 anos após matar a esposa, para a capital paulista.
A Polícia Civil de São Paulo irá buscar o preso nos próximos dias. A operação de transferência será realizada pela DHPP (Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa), que fez o pedido ao Tribunal de Justiça baiano na semana passada.
A data da mudança, no entanto, não foi especificada. A informação foi confirmada à reportagem pela SSP (Secretaria de Segurança Pública de São Paulo).
A decisão é para que a pena seja cumprida no estado onde o crime foi cometido. Acusado de matar a esposa, Fernanda Orfali, 28, ele foi condenado à prisão em 2018 pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. Em 2025, o STF ratificou a decisão da prisão.
Empresário estava foragido desde 2025 e foi detectado por câmeras de reconhecimento facial. Ele foi detido na cidade de Mata de São João, na Região Metropolitana de Salvador, próximo a um condomínio de luxo. Com ele, foram apreendidos 13 pinos contendo uma substância que parecia cocaína, três aparelhos celulares e um veículo.
Defesa diz que há recursos nas Cortes Superioras que, devido ao recesso, tiveram andamento comprometido. Em nota, a advogada de defesa de Sérgio, Adriana Machado e Abreu, informa que o cliente mora na Bahia há anos, antes mesmo do mandado de prisão ser emitido.
Advogada alega, ainda, que Nahas é “uma pessoa idosa e com graves problemas de saúde” e que já entrou com pedido de habeas corpus. A defesa informa que “continuará recorrendo à justiça e utilizará as medidas jurídicas cabíveis, pois há muitas falhas no processo e não poderemos correr o risco de mantermos um inocente preso”.
COMO FOI O CRIME
O empresário matou Fernanda Orfali após seis meses de casamento. Nahas atirou na esposa duas vezes após ela descobrir casos extraconjugais com mulheres trans e que ele usava drogas. A bala ricocheteou na coluna vertebral e atingiu o coração da estilista, que tinha 28 anos à época -o empresário tinha 38 anos. O crime aconteceu no apartamento onde o casal morava em Higienópolis, área nobre da cidade de São Paulo.
Antes de morrer, Fernanda ligou para o irmão. Cerca de 30 minutos antes de ser baleada por Nahas, ela pediu Júlio, seu irmão, para buscá-la. O irmão percebeu que a situação era grave e foi socorrê-la, mas, quando chegou, a estilista já estava morta. No processo, a defesa de Nahas alegou que a mulher tinha depressão e que se matou.
À polícia, Nahas disse que ela se trancou no closet e se suicidou. O empresário afirmou que arrombou a porta para tentar salvá-la, mas era tarde. A investigação, no entanto, achou vestígios de pólvora na roupa dele. A defesa alegou que a pólvora estava presente, pois ele abraçou a mulher. Ele foi preso à época por porte ilegal de arma, mas foi solto em seguida.
Antes do crime, Nahas tinha desparecido e foi confrontado pela mulher ao chegar em casa. Segundo relato da família, ele tinha ficado nervoso após Fernanda ter ido a um salão de cabeleireiro com uma amiga solteira. Ao voltar para casa, ela o confrontou dizendo que sabia dos casos extraconjugais -ela mexeu no celular dele e ligou para números repetidos; um deles era de uma mulher trans, Katryna. Em depoimento, ela informou que Nahas participava de orgias de sexo com cocaína.