Menu
Brasil

Julgamento de Henry Borel chega ao sétimo dia com testemunhas de defesa

Tribunal do Júri ouviu depoimentos ligados às defesas de Jairo Souza Santos e Monique Medeiros neste domingo. Acusação e defesa apresentaram versões opostas sobre as provas do caso

Redação Jornal de Brasília

31/05/2026 15h11

caso henry borel (rj). (1)

Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

O julgamento da morte do menino Henry Borel, de 4 anos, entrou no sétimo dia neste domingo (31), com o Tribunal do Júri ouvindo testemunhas de defesa dos réus Jairo Souza Santos e Monique Medeiros. O ex-vereador e a professora respondem no processo como acusado e acusada, respectivamente, pela morte da criança.

As sessões começaram a ouvir testemunhas de defesa no sábado (30) e continuaram neste domingo, com previsão de se estender ao longo da semana. O júri é presidido pela juíza Elizabeth Machado Louro.

No sábado, foi ouvido o engenheiro Bryan Medeiros da Costa Silva, irmão de Monique e principal testemunha de defesa dela. Durante mais de oito horas, ele respondeu a perguntas da juíza, das defesas e da acusação, representada pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro. Bryan descreveu a irmã como uma mãe zelosa, afirmou que ela sempre trabalhou e esteve ao lado do ex-marido Leniel Borel, pai de Henry, e relatou o relacionamento de Monique com Jairo.

Segundo o depoimento, Monique e Jairo se conheceram pela internet, ele era gentil e nenhum familiar desconfiou de que pudesse ser autor das agressões que levaram o menino à morte, conforme a denúncia. Bryan também disse que, após a divulgação dos laudos que relacionaram as lesões do garoto a agressões, Jairo teria tentado persuadir Monique a mentir sobre os fatos que antecederam a morte. Ele afirmou ainda que uma prima alertou para a possibilidade de Monique estar sendo manipulada, o que levou a família a buscar uma defesa separada da de Jairo.

Também no sábado, foram ouvidos um colega de trabalho de Monique em uma escola e uma funcionária da brinquedoteca do condomínio onde o crime ocorreu. A funcionária disse que a ré frequentava o espaço com a criança e era atenciosa.

Na sexta-feira (29), os jurados ouviram as testemunhas de acusação. O último a depor foi Leniel Borel, pai de Henry, que terminou de falar às 4h15 da madrugada de sábado.

A defesa e a acusação apresentaram versões opostas sobre os elementos do processo. Segundo o advogado Cristiano Medeiros, assistente da acusação ligado ao pai do menino, o depoimento de Bryan não altera o conjunto de provas e não tem força, já que ele não presenciou os fatos. Em nota enviada à imprensa neste domingo, ele afirmou que tudo o que Bryan disse ter sabido foi contado por Monique após a prisão dela, quando, segundo a acusação, ela já tinha interesse em construir uma versão defensiva. A acusação sustenta que documentos comprovam que Henry foi lesionado enquanto estava sob os cuidados da mãe e do padrasto.

Já a defesa de Jairo sustenta que a laceração hepática que provocou a hemorragia e a morte de Henry, conforme o laudo pericial, teria sido causada pelas sucessivas manobras de ressuscitação realizadas no hospital. No julgamento, o médico-legista Luiz Carlos Leal Preste discordou dessa tese. Outro legista, Luiz Airton Saveedra de Paiva, afirmou que houve três traumatismos em locais diferentes da cabeça, com descolamento do couro cabeludo, além de sinais de contusão nos pulmões, hemorragia retroaórtica e hemorragia peritoneal, apontada como causa do óbito. Ele afirmou ainda que Henry já estava sem vida quando chegou ao hospital.

O delegado do caso, Henrique Damasceno, também confirmou em depoimento que Jairo fez pressão para que a unidade de saúde atestasse a morte da criança sem o encaminhamento do corpo ao Instituto Médico Legal (IML), onde seria periciado.

Segundo a denúncia, na madrugada de 8 de março de 2021, Jairo teria espancado Henry até a morte, enquanto Monique teria se omitido da responsabilidade, o que levou ao homicídio. O Ministério Público afirma ainda que, em outras três ocasiões em fevereiro de 2021, Jairo submeteu o menino a sofrimento físico e mental com emprego de violência. Ele responde por homicídio qualificado, três torturas praticadas contra criança, fraude processual e coação no curso do processo, entre outros crimes. Monique responde por sete crimes, entre eles homicídio por omissão qualificado e omissão.

Com informações da Agência Brasil

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado