Novidade na lista da seleção brasileira masculina de vôlei, o ponteiro Manius Abbadi reconhece que ficou surpreso ao ver seu nome entre os 19 inscritos da seleção brasileira masculina para a Liga Mundial. O gaúcho foi um dos destaques do Cuneo na temporada 2007/2008 do Campeonato Italiano, campeonato no em qual o time parou nas semifinais diante do Piacenza, do líbero Escadinha.
“Eu fiquei sabendo da convocação pela Internet e me surpreendi porque faz mais de dez que eu não ia para a seleção brasileira. Joguei a Liga Mundial de 1997 ainda com o Radamés Lattari e não era titular. Não esperava ser chamado”, reconheceu o atleta, em entrevista por telefone à Gazeta Esportiva.Net. “Eu ainda nem falei com o Bernardinho nem ninguém da comissão técnica, ninguém me procurou”, revelou.
Residente na Itália, Manius aguarda a convocação oficial para saber quando deve retornar ao Brasil e se apresentar para os treinamentos em Saquarema. “Meu filho de nove anos tem aulas aqui na Itália até o dia 7 de junho. Se tiver que ir antes para o Brasil, minha esposa ficará cuidando dele”, justifica o gaúcho. Apesar de ter consciência de que o grupo de Bernardinho é fechado, o atleta não perde a esperança de competir nas Olimpíadas de Pequim.
“É uma possibilidade de eu jogar a Olimpíada e vou fazer o meu trabalho. Se o Bernardinho achar que deve me levar, eu vou estar pronto. Sei que é difícil entrar no grupo, já vi em entrevistas dele dizendo que para entrar na seleção tem que jogar em um nível superior ao de quem está aqui e esse nível é bastante alto. Mas vou fazer a minha parte”, promete o jogador, que não se vê no próximo ciclo olímpico. “Tenho 32 anos e, se tiver a possibilidade de disputar uma Olimpíada, tem que ser agora”, acredita.
Agora, a expectativa é trabalhar com o técnico Bernardinho. “Primeiro, vou ter o “choque” de saber como o Bernardinho trabalha. O pessoal fala que ele é uma pessoa bastante exigente, que cobra bastante, mas vou procurar trabalhar. Se eu ainda puder ensinar aos mais novos do time toda a minha experiência, eu vou ensinar, assim como aprender como os outros jogadores”, destacou.
Com 249 pontos em 31 partidas disputadas, Manius foi um dos destaques da campenha do Cuneo em busca do scudetto este ano. E ele se define como um jogador forte na recepção, mas evoluindo na hora de fazer pontos. “Tenho muita eficiência no fundo da quadra e esse ano eu cresci muito como atacante”, analisa o atleta, que jogou a temporada passada com Giba, agora no voleibol russo. “Conheço o Giba desde 1993 e é sempre bom jogar com ele, nunca contra (risos). Tínhamos bastante contato até ele ir para a Rússia, mas agora fica difícil, com ele na Rússia, fuso horário diferente…”, afirmou.
As maiores amizades de Manius na Itália são com os outros dois brasileiros do Cuneo, o levantador Marlon, também inscrito na Liga Mundial, e Renato Felizardo. “Cuneo fica um pouco distante, então o contato com os outros brasileiros na Itália é mais difícil”, explica o jogador, que deixou o voleibol do país após a temporada 2002/2003, quando defendeu o Wizardo/Suzano. Depois, ele foi para o Tourcoing Lille, da França e em 2004/2005 atuou no Dinamo Kazan, da Rússia, antes de entrar no voleibol italiano, através do Teleunit Gioia Del Colle, da série A2.
“A Rússia me abriu um pólo, é um campeonato de vôlei forte, mas em termos pessoais foi uma experiência que não dá para esquecer. Era muito frio, a temperatura chegava a 30ºC negativos. Além disso, a cidade era distante, ficava a uns 800km de Moscou e não tinha muita coisa para fazer. Mesmo que tivesse, era difícil ir ao cinema, por exemplo, por causa da língua”, lembrou.
Preparando-se para defender o Cuneo pela terceira temporada, Manius não pretende voltar ao Brasil. “Estou muito bem na Itália, gosto do clube e do método de trabalho deles. Não é só questão de propostas voltar ao Brasil também tem a violência”, justifica o jogador.
Para ele, o Piacenza mereceu estar na final do Campeonato Italiano – o Cuneo perdeu a série melhor-de-três por 2 a 1, depois de sair vencendo. “Eles jogaram melhor e têm um grupo mais completo que o nosso. Isso pesou. No primeiro jogo a gente sacou muito bem e na segunda e na terceira partida este fundamento não fez mais tanto efeito, além de o Escadinha ter jogado o máximo dele”, elogiou.