A um dia do julgamento do caso de espionagem na Fórmula 1, o jornal espanhol El País acrescentou mais um fato à polêmica. Em sua edição online, o diário diz que Nigel Stepney entregou o dossiê de 780 páginas com informações privilegiadas da Ferrari para o chefe de design da McLaren, Mike Coughlan, como uma forma de se vingar por ter sido preterido na sucessão de Ross Brawn como diretor técnico do time vermelho.
Segundo o periódico, o britânico interpretou que havia chegado sua vez de ascender na equipe, mas o chefe da Ferrari, Jean Todt, acabou dando preferência a Luca Baldisseri. Stepney acabou sendo nomeado chefe de desenvolvimento da Ferrari, cargo que tornaria sua presença no paddock dispensável.
De acordo com as investigações feitas a respeito do caso de espionagem, o dossiê está nas mãos de Coughlan desde o último mês de março, pouco depois de Stepney ter assumido seu novo cargo na Ferrari. E aparentemente o rancor do engenheiro não se aplacou apenas com isto.
Durante os treinos para o Grande Prêmio de Mônaco, no fim de maio deste ano, a polícia científica encontrou um misterioso pó branco nos tanques de combustível dos carros do time de Maranello. Um mês depois, a Ferrari denunciou Stepney por sabotagem e, com argumentos legais suficientes, anunciou sua demissão.
Apesar de Stepney ser o pivô do escândalo de espionagem dos últimos meses, esta não foi a primeira vez que sua idoneidade foi questionada. O engenheiro trabalhou na Benetton no final dos anos 80 e início dos 90. Neste intervalo, um incidente não muito claro – o desaparecimento de uma caixa que continha dinheiro para viagens – levou o então chefe de operações do time, Joan Villadelprat, a demitir o britânico.
Antes de abandonar a equipe, que hoje é a Renault, Stepney fez amizade com um outro mecânico da Benetton – Mike Coughlan – com quem trabalhou em uma empresa do projetista John Barnard.