Com o cargo ameaçado após o fracasso da seleção brasileira masculina de basquete na tentativa de garantir no Pré-olímpico das Américas a vaga para os Jogos Olímpicos de Pequim-2008, o técnico Aluísio Ferreira pode ceder sua vaga a um substituto até mesmo internacional. Trabalhando com o treinador desde os tempos em que ele era auxiliar-técnico de Hélio Rubens, os jogadores da equipe não descartam a possibilidade como algo que pode ajudar na evolução do grupo.
“Às vezes é necessária uma mudança de ares“, avalia o ala/pivô Tiago Splitter, concordando que um estrangeiro poderia dar nova dimensão à equipe. “Isso poderia ajudar”, afirma o jogador, que atua na Espanha desde os 15 anos, vinculado ao Tau Cerâmica, e acaba de ser selecionado no draft da NBA pelo San Antonio Spurs.
Apesar de apoiar a possibilidade de se injetar sangue estrangeiro na seleção, Splitter nega qualquer tipo de desavença entre os atletas e o técnico. “O grupo esteve fechado com o Lula, em nenhum momento a gente pensou diferente”.
O armador Leandrinho, que jogou sob a supervisão do técnico até mesmo nas categorias de base do Palmeiras, ressalta a contribuição de Lula à modalidade, mas não é avesso à idéia de trabalhar com um estrangeiro. “A gente gostou muito do trabalho dele. O Lula fez muito pelo basquete e eu pessoalmente nunca tive nada contra ele. Mas para mim tanto faz quem seja. Trazer um estrangeiro pode ser bom ou ruim”.
Os rumores da dispensa de Lula ganharam fôlego não apenas pela seleção precisar da segunda chance para buscar a classificação olímpica, mas também pelas muitas notícias afirmando que dentro da equipe havia um ambiente de insatisfação em relação a seu comando. Enquanto estava
Mas fora o ala do New Orleans Hornets, ninguém mais confirmou a rebelião. “Eu conheço o Marquinhos e sei que quando fica bravo fala tudo o que quer, mas com certeza não era o que queria falar”, minimiza Leandrinho.
O técnico Lula preferiu se esquivar do tema. “Eu tenho que conviver com a realidade dentro da equipe, o que foi feito fora eu não comento. Não comento matérias editadas ou escritas porque tem a opinião do jornalista”, afirmou. O treinador não disfarçou sua mágoa ao lembrar o caso, comparando-o ao da Escola Base, quando uma série de reportagens acusou os donos de uma escola infantil de pedofilia. Posteriormente, eles foram inocentados. “Mas aí já é tarde, vidas foram destruídas”.
Mesmo Lula considera que a interferência estrangeira seria benéfica, mas responsabiliza os próprios treinadores por sua ausência. “Aprender, a gente sempre tem de aprender e todo intercâmbio ajuda. Mas a falta disso é dos próprios técnicos. Tudo é uma somatória e este detalhe tem de acontecer. Você não pode defender pessoas, mas o basquete nacional”.