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Jockey de SP mantém corridas e terá parque após acordo que encerra disputa com prefeitura

Acordo firmado nesta quinta-feira põe fim a impasse tributário e garante permanência da instituição no hipódromo de Cidade Jardim

Redação Jornal de Brasília

30/10/2026 14h47

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Foto: Divulgação/Jockey Club São Paulo

PRISCILA MENGUE
FOLHAPRESS

O Jockey Club e a Prefeitura de São Paulo assinaram termo de cooperação na quinta-feira (29) que encerra anos de disputa tributária e de permanência da instituição no hipódromo da Cidade Jardim, na zona oeste da capital. As corridas de cavalos serão mantidas.

O acordo prevê a cessão de área interna da pista de turfe para a implantação de parque municipal, com cerca de 85.000 m² –como comparação, o Jardim da Luz tem 76.885 m² –e acesso por passagem subterrânea. A inauguração é estimada para 1º de outubro de 2028.

A etapa atual abrange ainda a quitação de débitos do clube inscritos na dívida ativa após a adesão a edital de descontos de até 90% em multas e juros, voltado a devedores que pagarem à vista e desistirem de ações de contestação.

Desse modo, o montante caiu de R$ 912,5 milhões para R$ 228 milhões, de acordo com a prefeitura. O pagamento foi viabilizado por meio de parceria do clube com o BTG Pactual, que também envolve a quitação de dívidas trabalhistas e cíveis.

O custo de implantação do parque será arcado pelo Jockey, estimado em ao menos R$ 85 milhões. Segundo a prefeitura, a área constará como cedida ao município.

O projeto inclui quadras esportivas, lago, bosque sensorial, circuito de caminhada, parques infantis, espaço pet e estrutura para eventos ao ar livre, entre outras opções de lazer.

Em vídeo, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) celebrou o acordo, que chamou de um grande avanço para um equipamento que considerava como parado e um grande problema para a cidade. “Põe ele ativo, gerando emprego e renda”, disse.

O acordo retoma parte de projeto de parque apresentado em 2017 pelo Jockey. O projeto é ligado aos mesmos escritórios de arquitetura e urbanismo, o Levisky Arquitetos Estratégia Urbana e o Königsberger Vannucchi.

A assinatura ocorre após anos de discordâncias e até embates entre o Jockey, a prefeitura e a Câmara Municipal, especialmente desde 2023.

O prefeito defendia a transformação integral em parque e o entendimento de que a área se tornaria de domínio municipal em caso de encerramento do turfe -diante de lei municipal de 2024 que proibia corridas de cavalos com apostas, posteriormente declarada inconstitucional pela Justiça.

No evento de assinatura, a secretária municipal de urbanismo e licenciamento, Bete França, afirmou que o novo parque passou a ser considerado no planejamento da cidade. Desse modo, discute-se, por exemplo, a construção de uma passarela para ciclistas sobre o rio Pinheiros.

Jockey planeja mudanças para atrair mais sócios

O objetivo da diretoria que assumiu o clube em fevereiro é transformá-lo em um grande centro de lazer e entretenimento, com eventos de diferentes portes, comércio e atividades variadas. A inspiração advém de exemplos dos Estados Unidos, da Austrália, do Japão e de outros países.

Recentemente, o Jockey recebeu um torneio internacional de tênis, por exemplo. A estimativa é de que o espaço comporte até 14 mil frequentadores após a implantação das mudanças.

O projeto prevê o pagamento ao BTG com recursos obtidos por meio do lançamento de novos títulos de associação. Hoje, são cerca de 580 sócios, ante 8 mil nos anos 1990, de acordo com o Jockey.

Para tanto, estão previstas melhorias, a fim de valorizar os títulos. Entre mudanças planejadas, estão boulevard gastronômico, alameda comercial e novas “experiências de convivência”.

Presidente do Jockey, Vicente Renato Paolillo, defendeu na Câmara Municipal que a ideia é de um “novo clube”. A declaração ocorreu no dia 13, durante sessão da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) que investiga suspeitas de diretorias anteriores de uso irregular de incentivos públicos para o restauro de patrimônio tombado.

O hipódromo está na Cidade Jardim desde 1941. Com o agravamento da crise do clube, o déficit operacional foi de R$ 14,2 milhões em 2025, segundo informado pela diretoria na CPI.

A instituição está em processo de reforma do estatuto social. A diretoria receberá propostas de emendas por associados até 27 de novembro.

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