Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o consumo diário de sal não deve exceder seis gramas por dia – uma colher de chá. Mas como saber a quantidade de sal que os alimentos contêm, se a maiodia das embalagens dos produtos costuma informar a quantidade de sódio e não a de sal?
A primeira recomendação dada pelo médico a um portador de hipertensão arterial é reduzir o sal na dieta. De acordo com uma pesquisa do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, 93% das pessoas hipertensas que participaram do estudo não sabia fazer a relação entre o sal e o sódio descrito nas embalagens dos alimentos. Uma boa parte (75%) não lê o rótulo e 45% não sabe que os produtos industrializados podem conter sal.
O cardiologista Daniel Magnoni, coordenador da pesquisa, explica que é preciso multiplicar o valor de sódio no rótulo por 2,5 para fazer a correspondência em gramas de sal. Um alimento com 500 mg de sódio, por exemplo, representaria 1,25 g de sal.
O sódio, um dos componentes do sal de cozinha é o verdadeiro causador da pressão alta. Porém, ele não se encontra apenas em alimentos salgados, mas também em conservantes, como o nitrito de sódio e nitrato de sódio e em adoçantes (ciclamato de sódio e sacarina sódica), em fermentos (bicarbonato de sódio) e em realçadores de sabor (glutamato monossódico).
Segundo o cardiologista Magnoni, uma proposta governamental está em elaboração com o objetivo de alterar a informação dos rótulos para que contenham também a quantidade de sal. De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), fazer essa alteração não é possível, porque muitos alimentos, como o leite, contêm sódio naturalmente, mas não sal. “Declarar a quantidade de sal em um alimento que não teve adição desse ingrediente seria enganar o consumidor”, afirmou a agência em nota.
A Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) deve lançar em breve nova diretriz que reduzirá o valor diário recomendado de consumo de sal para cinco gramas.