A indústria nacional quer aumentar sua presença junto à Petrobras, mas tem encontrado dificuldades para entrar no seleto grupo de parceiros da operadora única do pré-sal. O governo reconhece as dificuldades e trabalha para transformar a descoberta numa oportunidade para desenvolver, no Brasil, tecnologia de ponta para equipamentos para o setor.
Uma das formas de garantir maior participação das empresas locais no pré-sal será a exigência do uso de material produzido no Brasil nos projetos. A norma ainda não está fixada, mas pelas avaliações das reuniões realizadas, admite-se que, para trabalhar no pré-sal, as empresas terão de utilizar 75% de materiais “made in Brazil”.
Representantes das indústrias de eletroeletrônicos e de máquinas, entretanto, foram ao Ministério de Minas e Energia reclamar que suas associadas têm dificuldade em vender para a Petrobras, apesar das regras de conteúdo local. Mesmo empresas estrangeiras que se associaram a firmas locais para aproveitar as exigências de conteúdo nacional encontram problemas.
“Tenho reclamações de empresas que vieram para cá, se associaram e não conseguem vender. Isso é um ponto que vamos ter de trabalhar”, afirma o secretário de Petróleo, Gás Natural e Combustíveis Renováveis do Ministério, Marco Antônio Martins Almeida. Na avaliação do governo, o grande volume de investimentos e equipamentos demandados para exploração do pré-sal vai dar à indústria local algo que elas não tiveram até agora: escala.
Na incerteza sobre quanto venderiam, alguns setores da indústria pouco investiram em tecnologia. “Isso é a grande mudança que o pré-sal trouxe. Ele caracterizou que vou ter demanda continuada e com escala para todos os equipamentos, abrindo espaço para que a indústria possa investir em capacitação”, avalia.
Preocupação
Mas a forma como a regra do conteúdo local tem sido cumprida atualmente tem gerado mais preocupação do que entusiasmo. Em segmentos como o da construção naval, as empresas contratadas pela Petrobras para tocar um projeto acabam cumprindo a exigência atual – de incluir 65% de conteúdo local – apenas contabilizando pessoal e aço utilizado.
“Os estaleiros chegam aos 65% de conteúdo local se abastecendo de aço e mão de obra e o resto acabam importando”, explica o presidente da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), Humberto Barbato.
O gerente regional da Abinee no Rio de Janeiro, Paulo Sérgio Galvão, diz que os componentes eletrônicos representam cerca de 4% do preço do navio. Por isso, os armadores não se preocupam em comprar esses produtos no mercado interno, pois eles teriam pouco peso na composição do conteúdo local.
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