O secretário de Segurança Pública do estado de São Paulo, visit this Ronaldo Marzagão, disse hoje que o trabalho da imprensa sobre o roubo de duas pinturas do Museu de Arte de São Paulo (Masp) “foi fundamental para evitar a saída das obras do país”.
A entrevista foi concedida durante a devolução das obras ao museu por parte da Polícia Civil.
Segundo Marzagão, “a cobertura, o interesse da imprensa”, complicou a ação para tirar as telas do Brasil e ajudou no trabalho de investigação.
As obras “O Retrato de Suzanne Bloch”, de Pablo Picasso, e “O Lavrador de Café”, de Cândido Portinari, foram recuperadas na terça-feira pela Polícia e estão avaliadas em cerca de US$ 50 milhões.
As peças foram roubadas no último dia 20. Em apenas três minutos, aproveitando a mudança de turno dos seguranças, dois homens arrombaram uma das salas do Masp, que tem a maior coleção privada de arte na América Latina, avaliada em US$ 1 bilhão.
Depois da captura de um suspeito há dez dias e com a ajuda das imagens das câmeras de segurança e escutas telefônicas, a Polícia Civil chegou na terça-feira até Ferraz de Vasconcelos, município da região metropolitana de São Paulo, onde dez agentes vigiaram por 12 horas o local onde as telas estavam. Duas pessoas foram presas por relação com o crime.
O delegado Adilson Marcondes, da Terceira Delegacia de Crimes Contra o Patrimônio, disse que um dos detidos, Robson de Jesus Jordão, é também um dos suspeitos de ter tentado cometer um roubo frustrado ao Masp há cerca de dois meses.
A prisão de Francisco Laerte Lopes de Lima, dez dias atrás, não foi divulgada para não prejudicar as buscas pelas telas.
Marcondes admitiu que as investigações vão continuar para descobrir os possíveis compradores das obras.
No momento em que recebeu os quadros de volta, o diretor do Masp, Júlio Neves, anunciou que o museu terá um moderno sistema de segurança que será implantado por duas companhias privadas contratadas após a doação dos equipamentos por parte da multinacional sul-coreana do ramo eletrônico LG.
As obras voltaram ao Masp hoje em meio a um forte esquema de segurança que contou com caminhões blindados e um helicóptero policial para fazer a escolta.
As duas pinturas voltarão a ser exibidas a partir desta sexta-feira, quando o museu reabrirá as portas ao público pela primeira vez após o crime.
Especialistas examinaram as telas e constataram tanto a originalidade como o bom estado das mesmas, inclusive de suas molduras originais.
Apenas um arranhão na parte posterior do quadro de Picasso foi apontado pelos especialistas, mas o dano não chegou a comprometer a pintura.