< !--StartFragment -- >Após se destacar nas categorias brasileiras de kart, o jovem Rubens Barrichello ainda conquistou os títulos da Lótus Européia em 1990 e da Fórmula 3 inglesa em 1991. Em 1992, terminou a F-3000 na terceira colocação e foi contratado pela equipe Jordan para estrear na F-1, a principal categoria do automobilismo mundial.
O ano de estréia de Rubinho na Fórmula 1 foi razoável para um estreante em uma equipe de pouca relevância: o brasileiro terminou na 17ª colocação, com seis corridas completadas em 15 na temporada. Seu melhor desempenho foi um quinto lugar no Japão, na prova de encerramento de 1993.
Um ano depois, Barrichello chamou a atenção ao terminar o GP do Brasil no quarto lugar – o pole position Ayrton Senna não conseguiu completar a corrida, para tristeza da torcida paulistana que compareceu a Interlagos. Uma prova depois, no Pacífico, conquistou seu primeiro pódio: foi o terceiro colocado no traçado japonês, atrás do alemão Michael Schumacher, da Benneton, e do austríaco Gerhard Berger, da Ferrari. Seria a prova de que o País teria mais um campeão mundial?
Mas o final de semana do GP de San Marino chegou no final de abril e os prognósticos de que o Brasil se tornaria uma potência da F-1 acabaram no circuito de Imola: logo no primeiro dia de testes livres, Rubinho se envolveu em um gravíssimo acidente com sua Jordan e não disputou a prova de domingo – a última da vida de Ayrton Senna, morto após chocar sua Williams com o muro na curva Tamburello.
Barrichello retornou à F-1 com a pressão de substituir Senna, ídolo nacional e cuja morte comoveu o País. Rubinho conseguiu mais quatro quartos lugares ao longo da temporada 1994 (Grã-Bretanha, Itália, Portugal e Austrália) e terminou o ano na sexta posição, com direito a uma pole (na Bélgica).
Só que Barrichello, cada vez mais pressionado por resultados positivos, não conseguiu brilhar em 1995 – apesar de ter feito o segundo lugar no GP do Canadá. O brasileiro terminou sua terceira temporada na 11ª colocação geral. Em 1996 foi o oitavo, mas deixou a equipe após atritos de relacionamento com o Eddie Jordan e se transferiu para a recém-formada Stewart.
Mas a montadora escocesa do ex-piloto Jackie Stewart não deu a Rubinho a projeção esperada, e ao longo de três temporadas o brasileiro ficou com apenas quatro pódios: um segundo lugar em Mônaco-1997 e três terceiros lugares em 1999: nos GPs de San Marino, França e Europa.
O desempenho em 1999 na Stewart rendeu a Rubinho uma vaga em uma grande equipe: na Ferrari, substituindo o irlandês Eddie Irvine e fazendo dupla com o alemão Michael Schumacher. Foi o início da era mais vitoriosa do germânico, graças ao fiel escudeiro brasileiro.
O momento mais feliz de Rubinho em sua carreira aconteceu em 30 de julho de 2000, em Hockhenheim. Após largar na 18ª posição no Grande Prêmio da Alemanha, o brasileiro contou com a chuva e com um invasor da pista para se recuperar e faturar sua primeira vitória na carreira na F-1, a primeira do Brasil após quase sete anos do último triunfo de Ayrton Senna, em novembro de 1993.
Rubinho cumpriu seu objetivo em seu primeiro ano na Ferrari e ajudou Schumacher a se tornar tricampeão da Fórmula 1 com 108 pontos conquistados – à frente dos rivais da McLaren Mika Hakkinen e David Coulthard – que faturaram 89 e 73, respectivamente. O brasileiro foi o quarto colocado, com 62.
A colocação de Barrichello melhorou na temporada 2001, embora não tenha obtido vitórias no ano. Rubinho terminou no terceiro lugar do Mundial de Pilotos, mais uma vez contribuindo para o título de Schumi.
Mas a ajuda do brasileiro ao gênio alemão ficou escancarada ao mundo em 2002 – mais precisamente em 12 de maio, data do Grande Prêmio da Áustria. Rubens Barrichello liderava a prova até a última volta da última curva, mas recebeu a ordem pelo rádio para tirar o pé do acelerador metros antes de receber a bandeirada quadriculada e permitir que Schumacher, que aparecia em segundo lugar, vencesse a corrida.
O fiel escudeiro de Schumacher, contudo, foi o segundo melhor piloto do ano de 2002 e foi peça importante no pentacampeonato do alemão na F-1. No mesmo ano, Rubinho conquistou quatro vitórias (Europa, Hungria, Itália e Estados Unidos) e conquistou dez pódios em 17 corridas.
No ano de 2003 Rubinho venceu dois GPs (Grã-Bretanha e Japão) e finalizou a temporada na quarta colocação geral. Uma temporada depois, em 2004, voltou a ficar com o vice – atrás apenas do parceiro Schumacher, já consagrado com o heptacampeonato mundial – e com um feito inédito para sua carreira: um pódio no Brasil, terminando em terceiro lugar.
Barrichello encerrou sua era pela Ferrari em 2005 com uma campanha muito abaixo das anteriores: foi apenas o oitavo colocado do Mundial de Pilotos, sem vencer GPs e com quatro pódios em 19 corridas disputadas. Após ver o compatriota Felipe Massa o substituir na escuderia italiana, fechou contrato com a Honda.
Como piloto da montadora japonesa, Rubinho não subiu ao pódio em sua primeira temporada – teve como melhores resultados de 2006 os dois quartos lugares, em Mônaco e Hungria, e acabou com a sétima posição do Mundial – uma atrás do parceiro inglês Jenson Button, responsável pela vitória em Budapeste e pelos terceiros postos na Malásia e no Brasil.
Em 2007, Barrichello viveu seu pior momento na F-1, sobretudo devido ao péssimo ajuste da Honda para o RA107. A montadora japonesa foi o grande fracasso do ano e faturou apenas seis pontos ao longo da temporada, todos com Button. Rubinho, pela primeira vez em 15 anos na categoria, não pontuou. Foi o 20º dos 20 pilotos na briga.
O time japonês não melhorou muita coisa em 2008, apesar dos investimentos feitos para o início da temporada e a contratação do renomado Ross Brawn para chefiar a equipe. Button conseguiu os três primeiros pontos do ano para a Honda com o sexto lugar na Espanha, mas foi Rubinho quem teve mais razões para comemorar ao longo deste ano.
A festa de Rubinho começou na Turquia, em 11 de maio, quando iniciou seu GP de número 257 na carreira e se tornou o piloto com mais corridas disputadas da história da Fórmula 1 – superando o italiano Ricardo Patrese. Em junho, no Canadá, voltou a pontuar após quase um ano e meio de jejum ao terminar a prova em Montreal na sexta posição.
Duas semanas depois, Rubinho terminou o GP da França na sétima posição e superando Button, que não pontuara depois de Barcelona. Em julho, Rubinho obteve seu melhor momento na Honda: após largar da 16ª posição na Inglaterra, terminou a disputa em Silverstone na terceira colocação e estreou no pódio pela equipe japonesa.
Rubens Barrichello é atualmente o 14º colocado no Mundial de Pilotos da temporada 2008, com 11 pontos conquistados. Button é apenas o 18º, com três. O inglês está garantido para correr em 2009 pela equipe, mas o brasileiro de 36 anos vive situação indefinida. E a aposentadoria forçada de Rubinho pode acontecer neste domingo, dia 2 de novembro, em sua própria casa. A Honda é quem definirá.