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Governo precisa de plano para evitar deslizamentos, enchentes, e tragédias naturais, afirma especialista

Os efeitos são mais sentidos agora porque o desmatamento podem ter tirado um freio natural às correntes que vem do Oceano Atlântico

Foto: Agência Brasil

Os meses do verão no Brasil são os de maior incidência de chuvas mais intensas. No início deste ano, as regiões norte, nordeste e centro-oeste do Brasil viveram os efeitos adversos dessas tempestades. Mas se a temporada de chuvas já é aguardada porque temos, ano após ano, tantos episódios como enchentes, deslizamentos, e catástrofes naturais ligadas ao período? Para responder essa questão entrevistamos o especialista em infraestrutura e logística Paulo César Alves Rocha.

Veja a entrevista:

1 –  São normais estas chuvas? Como se prevenir para os efeitos delas?

Paulo César Alves Rocha: Para a primeira pergunta temos a resposta que as chuvas mais intensas existem em ciclos de anos, temos as chuvas de cinco em cinco anos, vinte em vinte e aí por diante. Elas se tornam mais intensas devido a fatores climáticos, como o aquecimento do Oceano Pacífico, conhecido como La Niña ou do Oceano Atlântico conhecido por El Niño. Mas os efeitos são mais sentidos agora porque o desmatamento e a derrubada da Floresta Amazônica podem ter tirado um freio natural às correntes que vem o Oceano Atlântico, batem na Cordilheira dos Andes e retornam ao Brasil pelos chamados “rios voadores”. A derrubada quase que total da Mata Atlantica e os danos causados ao Cerrado e ao Pantanal também contribuem para acelerar os ventos e chuvas. Assim as chuvas mais intensas podem ser consideradas normais pelos ciclos de anos, mas estão turbinadas por outros fatores. A prevenção dos danos causadas por elas, servem tanto para as chuvas anormais dos ciclos de anos quanto para as chuvas de todo ano, são fáceis de solução se feitos com frequência.

2 – Quais etapas deveriam ser utilizadas pelos governos para um planejamento preventivo?

Paulo César Alves Rocha: Planejamento do uso do solo, tanto nas áreas agrícolas quanto nas urbanas. Nas áreas agrícolas além de se evitar o desmatamento, se este for absolutamente necessário, proteger as nascentes naturais de água, reservar parte da área para ter árvores, deixar vegetação nas margens de rios e córregos, efetuar as plantações ao longo das linhas de nível do solo, nunca efetuar plantações na linha perpendicular às encostas que causam erosão ou voçorocas, utilizar no pasto de gado plantas que guardem água de chuvas e protejam o solo de erosões, evitar quaisquer tipos de queimadas, utilizar a parte vegetal não colhida para proteger o solo.

3 – E com relação às urbanas, quais medidas poderiam ser realizadas?

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Paulo César Alves Rocha: Nas áreas urbanas nunca construir em margens de rios e canais, em áreas sujeitas a alagamentos anuais, em encostas ou perto delas. Ter sempre em mente que a retirada de árvores e o tipo de vegetação, assim como a urbanização, causam a perda da impermeabilidade do solo, fazendo com que este absorva menos aguas das chuvas e consequentemente escorram mais a procura de canalizações, canais e rios.

4 – Quais outras etapas deveriam ser observadas para um plano efetivo de prevenção?

Paulo César Alves Rocha: Realizar uma ampla análise de riscos, dividindo o País por grandes bacias hidrográficas e subdividindo-as até os rios menores. Ampliar esta análise para as tubulações que atravessam estradas, para rios e canais das áreas urbanas, para todas as pontes com a finalidade de verificar se o vão útil embaixo delas comporta a vazão máxima dos rios na época das maiores chuvas. Promover campanhas educativas e ações efetivas para a que o lixo e demais detritos sejam reciclados ou depositados em locais corretos evitando-se assim que obstruam redes de canalizações, canais e rios. Realizar uma ampla investigação dos níveis de assoreamento das redes de canalizações, canais, pequenos rios, grandes rios e represas, com a finalidade de averiguar a situação real da vazão ou capacidade de armazenamento de água.

5 – E com relação ao serviço de limpeza urbana, como pode auxiliar?

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Paulo César Alves Rocha:  É preciso verificar com base na análise de riscos, o dimensionamento das redes de águas e calha real dos canais e rios. Corrigir ou planejar a correção dos casos de subdimensionamento. É preciso efetuar a limpeza periódica de redes de águas servidas/pluviais e canais e rios. Também executar obras, com base na análise de riscos, que mitiguem as inundações de áreas em que se torne inviável a remoção de construções.








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