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Brasil

Governo do PR tenta frear leilão federal na esteira da briga envolvendo Parque Nacional do Iguaçu

Disputa envolve terreno de 1.085 hectares dentro do parque, onde fica atração turística das Cataratas do Iguaçu

Redação Jornal de Brasília

29/06/2026 13h23

parque nacional do iguaçu

Foto: José Fernando Ogura/Arquivo AEN

CATARINA SCORTECCI
FOLHAPRESS


A briga judicial entre o Paraná e a União em torno do Parque Nacional do Iguaçu, abrigo das famosas Cataratas do Iguaçu, ganhou mais um capítulo. O governo do Paraná entrou com uma ação na Justiça Federal para obrigar a União e o ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) a modificarem o edital de licitação que prevê a contratação da empresa responsável pelo tradicional Passeio do Macuco, cuja atração principal é o percurso de barco nas corredeiras do rio Iguaçu.

O Passeio do Macuco ocorre no Parque Nacional do Iguaçu em uma área que o Paraná defende ser de sua propriedade, não da União. A ação começou a tramitar em 18 de junho e o ICMBio disse à Folha de S.Paulo na última sexta-feira (26) que ainda não foi notificado.

“O processo licitatório segue seu curso regular, observadas as disposições do edital e eventuais determinações judiciais que venham a ser proferidas pelas instâncias competentes”, disse o instituto em nota à reportagem. O leilão na sede da B3, em São Paulo, está marcado para 12 de agosto.

A PGE (Procuradoria-Geral do Estado) do Paraná lembra na ação que, em fevereiro de 2025, o TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região) reconheceu que o estado é o titular de uma área de 1.085 hectares, o equivalente a cerca de 1.500 campos de futebol, às margens do rio Iguaçu, junto aos Saltos de Santa Maria. A área total do parque é de cerca de 170 mil hectares.

A batalha judicial começou em 2018, quando a União entrou com uma ação contra o estado do Paraná pedindo o cancelamento da matrícula do terreno no 2º Ofício de Registro de Imóveis de Foz do Iguaçu. A União apontou que havia “um erro grosseiro cometido pelo estado do Paraná” ao registrar o terreno em seu nome no ano de 2012.

A área primeiro foi doada pela União ao uruguaio Jesus Val em 1910. Na sequência, em 1919, o estado do Paraná comprou a área do uruguaio e registrou a escritura. Em 2012, o Paraná fez um novo registro do imóvel, no 2º Ofício de Foz do Iguaçu.

Mas, segundo a União, um decreto presidencial assinado ainda em 1971 definiu que os imóveis localizados nos limites do Parque Nacional do Iguaçu eram de “interesse social, para fins de desapropriação”, ou seja, passariam a ser de propriedade federal.

Em abril de 2020, o juiz federal Sergio Luis Ruivo Marques, da 1ª Vara Federal de Foz do Iguaçu, assinou sentença a favor da União. O Paraná, porém, recorreu ao TRF-4 e conseguiu reverter a decisão. Depois disso, a União recorreu ao STJ (Superior Tribunal de Justiça), que ainda não analisou o caso.

O governo paranaense entende que é o proprietário da área e sustenta que, para que a licitação do Passeio do Macuco seja feita, o estado precisa liberar uma concessão de Direito Real de Uso ao ICMBio.

Segundo o governo estadual, a União e o ICMBio “estão ignorando o documento da matrícula do imóvel e uma decisão do TRF-4 que reconheceu por unanimidade a validade do registro imobiliário e rejeitou ação que buscava cancelar a matrícula”.

“Permitir o prosseguimento do leilão nessas condições equivale a chancelar a oferta pública de um direito real e imobiliário eivado de vício de disponibilidade”, diz a petição da PGE levada neste mês à Justiça Federal.

O governo paranaense disse também que “apoia o desenvolvimento turístico e socioambiental da região” e que se dispõe a outorgar a concessão de Direito Real de Uso ao ICMBio.

O pano de fundo da disputa pela área é o valor arrecadado pela exploração do Parque Nacional do Iguaçu, criado por um decreto de 1939. No ano passado, a PGE afirmou que o reconhecimento da titularidade da área representaria “um grande potencial financeiro ao Paraná, cujo objeto pode ser debatido com a União no futuro”.

Atualmente, o ingresso para a principal atração do Passeio do Macuco, um passeio de barco próximo à região das Cataratas do Iguaçu, custa R$ 384 por adulto. O local é operado pela empresa Ilha do Sol desde 2010. O contrato vigente tem término previsto para 25 de junho de 2027.

Outras duas concessionárias atuam dentro do parque. O maior contrato é com a concessionária Urbia Cataratas, responsável pela exploração turística de toda área do parque.

A licitação do Passeio do Macuco em andamento prevê investimentos de R$ 85 milhões ao longo dos próximos 15 anos.

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