O Governo decidiu convocar um grupo interministerial para definir as medidas que adotará a fim de evitar uma possível epidemia de dengue de tipo 4, provocado por um vírus que reapareceu após 28 anos de ausência, disse hoje o ministro da Saúde José Gomes Temporão.
“É necessário estar preparado para qualquer possibilidade”, afirmou Temporão em declarações citadas hoje pela “Agência Brasil” e nas quais se referiu à confirmação esta semana de três casos de dengue de tipo 4 no estado de Roraima.
O vírus que transmite o dengue de tipo 4 circula há vários anos em dez países da América, mas no Brasil não se registravam casos desde 1982, por isso que a maioria da população não desenvolveu defesas imunológicas contra o mesmo.
Além de ameaçar a população sem defesas, o contágio do vírus de tipo 4 em pessoas que já sofreram dengue de tipo 1, 2 ou 3 pode provocar dengue hemorrágica, que é a forma mais perigosa da doença.
Entre os países nos quais circula este vírus destacam-se Bolívia, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela, todos vizinhos do Brasil na Amazônia. O estado de Roraima faz fronteira com a Venezuela.
Temporão não descartou que, perante a falta de defesas da população, o vírus possa se espalhar rapidamente não apenas em Roraima, mas também em outros estados do país.
“A probabilidade de que o vírus possa circular (por todo o Brasil) não é 100% segura. O vírus pode ter um comportamento inesperado e não se expandir com a velocidade com que se imagina que o fará”, disse o ministro.
“Mas ele pode circular pelo território nacional. Existem vários voos diretos de Roraima para São Paulo e para outros estados”, afirmou.
Segundo o ministro, perante essa ameaça, o Brasil tem que se preparar para controlar ao máximo no próximo verão (austral) a população de Aedes aegypti, que é o mosquito que transmite a doença.
“Temos que promover uma redução drástica da presença do vetor (o mosquito transmissor) no próximo verão”, disse.
O ministro disse que, como não se pode impedir a circulação de pessoas, a estratégia tem que se concentrar no combate ao mosquito.
“A solução, já que não existe uma vacina, é trabalhar duro para reduzir a presença do vetor no país”, insistiu.
Ele acrescentou que o Ministério da Saúde já enviou um alerta a todas as secretarias regionais de Saúde sobre a reaparição do vírus de tipo 4 e sobre a necessidade de impedir que o vírus circule fora de Roraima.