UOL/FOLHAPRESS
Um funcionário da ViaMobilidade morreu na madrugada de hoje após sofrer uma descarga elétrica enquanto realizava um serviço de manutenção na Linha 9-Esmeralda, na região da estação Morumbi, em São Paulo.
O homem trabalhava em uma manutenção programada na rede da linha férrea quando houve o acidente.
Ele chegou a ser socorrido por equipes do Corpo de Bombeiros, mas não resistiu aos ferimentos.
O caso ocorreu por volta da 1h20, na região da estação Morumbi. Informações preliminares registradas em boletim de ocorrência apontam que a causa da morte foi uma descarga elétrica.
A morte foi registrada no 11º Distrito Policial de Santo Amaro. Em nota, a ViaMobilidade informou que está prestando apoio à família da vítima e oferecendo todo o suporte necessário. A concessionária também afirmou que colabora com as autoridades e apura as circunstâncias do caso.
A concessionária assumiu gestão das linhas 8 e 9 da CPTM em 2022. Em janeiro daquele ano, a ViaMobilidade, que venceu uma concessão feita pelo governo do estado, passou a gerir as linhas 9-Esmeralda e 8-Diamante da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos. O contrato com a concessionária vai durar 30 anos.
O MPSP (Ministério Público de São Paulo) determinou hoje a abertura de um inquérito civil contra a ViaMobilidade. O objetivo é investigar as falhas constantes nas linhas de trens metropolitanos 8-Diamante e 9-Esmeralda.
Investigação visa apurar se há falhas da ViaMobilidade na execução do contrato de concessão. A apuração focará na análise da aplicação de recursos visando a melhoria das linhas e na prevenção de acidentes.
De acordo com a portaria do MPSP, obtida pelo UOL, a promotoria recebeu representações contra a ViaMobilidade. No documento foi narrado diversas falhas na prestação de serviço pela concessionária, “quase que diárias”, na operação das linhas 8 e 9.
Portaria também cita o descarrilamento em um trem da linha 9 no dia 26 de abril. O episódio ocorreu na região da estação Berrini, na zona sul, no sentido Osasco.
Inquérito também vai apurar possível omissão da Artesp (Agência de Transporte do Estado de São Paulo). O órgão do governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) é o responsável por regular e fiscalizar os contratos de concessão no transporte.
Segundo o MPSP, a investigação deve ser aprofundada porque os fatos podem configurar irregularidades e causar dano material ao Estado. No documento é citado um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) firmado em agosto de 2023 entre o MPSP e a ViaMobilidade. Na ocasião, a concessionária concordou em pagar indenização de R$ 150 milhões e antecipar investimentos de aproximadamente R$ 636 milhões durante dois anos para melhorar os serviços nas linhas 8 e 9.
MPSP deu 15 dias para ViaMobilidade prestar esclarecimentos sobre o episódio do dia 26, com apresentação de documentos sobre o evento. A concessionária também deve responder se foi identificado o problema que ocasionou o descarrilamento e se foram tomadas medidas para a correção.
O promotor Silvio Antônio Marques ainda pediu que a empresa informe as medidas adotadas nas duas linhas para prevenir novos acidentes.
Já a Artesp deverá enviar informações, em 15 dias, sobre o descarrilamento e as apurações em torno do incidente, incluindo as medidas tomadas. A agência precisará responder se instaurou procedimento administrativo visando a apuração dos fatos e se aplicou penalidades contra a concessionária em razão do descarrilamento e outros eventos, e se a ViaMobilidade apresentou planos de prevenção de novos acidentes.
O UOL mostrou em janeiro de 2025 que o MPSP abriu instaurou inquérito civil contra a ViaMobilidade. A ação visava investigar irregularidades supostamente cometidas pela concessionária nas linhas 8 e 9 do trem metropolitano de São Paulo.
Procurada, a ViaMobilidade disse que “que permanece à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários”. A concessionária também declarou que “reitera seu compromisso com a qualidade dos serviços prestados aos clientes”. A reportagem tenta contato com a Artesp. O texto será atualizado tão logo haja manifestação.