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Brasil

Franciele e Ísis, da seleção de basquete, treinam para conseguir enterrar

Arquivo Geral

06/09/2007 0h00

Todo treino da seleção brasileira feminina de basquete é a mesma coisa. Após o trabalho da equipe com aquecimento, arremessos, treino técnico, tático, alongamento e quando todo mundo começa a juntar suas coisas para voltar ao hotel, as pivôs Franciele e Isis se separam do grupo e voltam para a cesta. As duas têm na mente um objetivo e trabalham dobrado para isso: elas querem enterrar.


 


Nas mãos, a bola de basquete dá lugar a outra menor. Atualmente, uma de vôlei. E de posse dela, elas contam as passadas e sobem para a cesta, repetindo infinitas vezes os mesmos movimentos.


 


“Sou louca por isso”, diz empolgada Franciele. “Desde quando era infantil eu queria enterrar”, confessa a jogadora, que começou na modalidade aos dez anos, em Jacarezinho, no Paraná. Estimulada pela companheira de seleção, ela parou de sonhar e deu início aos treinos. Franciele ainda não chegou aonde deseja. A almejada enterrada só aconteceu com uma bola menor. Mas a conquista aumentou ainda mais o empenho.


 


O caso de Isis é diferente. Filha do ex-jogador de basquete Jorge, ela já enterra. “A primeira vez foi com 20 anos, em um rachão masculino de veteranos. Fiquei encantada, é uma emoção única. Como se você estivesse voando”. Para ela, a enterrada e o toco são as coisas mais bonitas da modalidade. “É o basquete show e a galera gosta. Tenho certeza que se mais meninas conseguissem, atrairia ainda mais gente para o basquete”.


 


Quem já sabe do que a pivô é capaz pede sempre uma amostrinha antes dos jogos. “Eles ficam gritando durante o aquecimento, pedindo para eu fazer”. Mas em situação de jogo, ela nunca repetiu o feito. “Até hoje não, mas sei que ainda vou conseguir”, diz despreocupada. “Antes, eu pensava muito nisso, o que acabou atrapalhando meu desenvolvimento. Agora não ligo tanto e com certeza na hora certa vai acontecer”.


 


Com 2,02m, Isis sabe que a natureza favorece seu trabalho em 50%. O resto ela busca com empenho dobrado na musculação e no trabalho de impulsão. E quando o assunto é impulso, ela também conta com uma vantagem extra, graças a sua experiência como ex-jogadora de vôlei (chegou a treinar com Bernardinho no Rexona-Ades).


 


O caminho de Franciele é mais complicado. Com 1,87m, ela precisa saltar mais alto. Mas esta parte do treinamento está encaminhada. “Já passo do aro”, garante. O desafio agora é coordenar tudo com a bola do tamanho certo. “Você precisa acertar a passada para pular na distância certa”.


 


Desde que se reuniu na seleção, a dupla ganhou uma força extra para realizar seu projeto pessoal: o auxiliar-técnico César Guidetti. Acostumado a trabalhar com equipes masculinas, ele tem dado dicas, orientado e explicado os segredos da ambicionada enterrada.


 


Treinando para confirmar uma vaga na seleção que disputará o Torneio Pré-olímpico, em Valdívia, no Chile, nem Franciele nem Isis se preocupam em conseguir o feito durante a competição. A prioridade é ajudar o Brasil a garantir vaga em Pequim-2008. “Mas se conseguir a vaga e enterrar vai ser alegria dobrada”, confessa a pivô paranaense. A amiga dá uma força. “A Fran está chegando perto, quando conseguir acho que vou ficar mais feliz que ela”.

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