O economista Armínio Fraga (ex-presidente do Banco Central) afirmou hoje (22) que o crescimento econômico do país depende de mais investimentos em educação e infraestrutura. Para ele, esses são os desafios do Brasil.
“Reinvestimos menos de 20% do PIB [Produto Interno Bruto, a soma de bens e serviços produzidos no país]. Isso não tem mágica”, disse Armínio seminário sobre os países que compõem o Bric (Brasil, Rússia, Índia e China).
Para continuar a crescer no mesmo patamar anterior à crise (2007/2008), de cerca de 5% ao ano, ou mesmo aumentar essa taxa, o economista destacou a necessidade de ampliar os investimentos com energia, água, saneamento e infraestrutura.
Ao destacar as vantagens do Brasil em relação ao Bric, ele citou a participação da sociedade nas discussões do país, com uma imprensa ativa e um “ambiente político rico”, “com uma estabilidade que outros países não têm”.
Fraga também avaliou que o país está a cada dia mais capitalista, criando um ambiente favorável a mais investimentos e à autuação de novos empreendedores, além de mais ativo no mercado de capitais “alavancando investimentos e a geração de emprego”.
Ao falar sobre a China, ele lembrou que o país tem um modelo de produção e organização centralizado, voltado para a indústria e para exportação, mas com problemas de meio ambiente, principalmente na geração de energia.
“Em certo lugares, como no Norte, há uma mistura de poluição e poeira com ar seco. Essa questão é um desafio enorme”, disse.
Sobre a política cambial chinesa, Fraga disse que o país, no futuro, vai ter que valorizar a moeda, o Yan, que caminhará para o câmbio livre.
“A China mantém um sistema de câmbio acoplado à moeda com câmbio fixo. Algo que parece natural, mas nos trouxe muita dor de cabeça no passado”.
Para o economista, a China também precisa “administrar” um sistema com mais eficiência, com avanço do consumo interno e menos dependência das exportações.
“Sou otimista com o futuro da China a longo prazo. Mas, em algum momento, a Chia crescerá a um digito por ano, o que é normal”, afirmou em relação a taxa, em torno de 10% ao ano. “Nós temos que fazer nossa lição de casa”.
De acordo com a última estimativa do Ministério da Fazenda, o PIB do Brasil em 2010 deve crescer 5,2%.