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Brasil

EUA e Austrália suspendem atendimento em consulados e embaixada no Brasil e citam ‘questão de segurança’

Não há, por ora, previsão para o retorno dos atendimentos presenciais

Redação Jornal de Brasília

02/10/2026 11h57

bandeira brasil eua

Foto: Embaixada dos EUA/Divulgação

MANOELLA SMITH E KARIME XAVIER
FOLHAPRESS


O governo dos Estados Unidos suspendeu o atendimento em embaixadas e consulados no Brasil a partir desta sexta-feira (2). O comunicado, publicado na véspera, diz que a decisão se dá por questões de segurança, sem citar mais detalhes sobre a motivação da medida.

Não há, por ora, previsão para o retorno dos atendimentos presenciais.

“Cidadãos norte-americanos que precisarem de assistência emergencial durante esse período não devem comparecer à embaixada, aos consulados ou a outras instalações diplomáticas dos Estados Unidos”, diz a nota divulgada. A orientação dada é entrar em contato com o oficial de plantão responsável pelo atendimento.

Pouco após o anúncio dos EUA, o governo da Austrália informou que cancelou o atendimento em sua embaixada e consulados, também citando preocupações de segurança. O comunicado pede ainda que as pessoas evitem as áreas próximas das repartições diplomáticas americanas.

Nenhum dos avisos explica o que brasileiros com entrevistas agendadas para a data devem fazer. A Folha de S.Paulo questionou a assessoria de imprensa do consulado dos EUA e da Austrália e ainda não teve retorno.

Funcionários das missões americanas no Brasil foram instruídos a permanecer em casa nesta sexta. Segundo a agência Reuters, a orientação se deu devido a uma ameaça recebida pela embaixada. Não há detalhes de qual teria sido essa ameaça.

Despachantes relataram à Folha de S.Paulo que clientes com agendamento para esta sexta receberam um email do governo americano informando o cancelamento dos atendimentos. A mensagem diz que, quando os serviços de visto forem retomados, os candidatos serão contatados para o reagendamento, mas não informa uma previsão.

Viajantes que tentaram entrar no consulado em São Paulo nesta manhã encontraram as portas fechadas e oito viaturas de policiais militares na calçada. Segundo integrantes da cúpula do governo Tarcísio de Freitas (PL), a solicitação para aumentar a segurança partiu do consulado. O reforço continuará até, pelo menos, sábado (3).

A jornalista Mara Regina da Silva, 36, veio de Ponta Grossa, no Paraná, para realizar a entrevista para obtenção de visto. Ela embarcou na noite de quinta (1º) e só viu o anúncio do cancelamento na manhã desta sexta, quando já havia chegado à capital paulista.

Silva se deslocou até o consulado em busca de informações e foi informada por funcionários de que a situação se tratava de uma questão emergencial e que não poderiam dar mais informações.

“A gente fica desamparado. Eu vim [para São Paulo] só para isso. Gastei com deslocamento, passagem aérea”, diz ela, que calcula ter desembolado cerca de R$ 4.000. A jornalista recebeu um cartão com uma lista de contatos destinado ao público para tirar suas dúvidas.

Além da embaixada em Brasília, os EUA têm consulados em Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo. Já a Austrália tem embaixada no DF e consulados nas capitais paulista e fluminense.

Outras embaixadas não têm previsão de mudanças no funcionamento, como Alemanha, México, Israel e Ucrânia. Há outras representações diplomáticas, inclusive, na mesma rua em Brasília em que estão as embaixadas dos EUA e da Austrália, como França, Reino Unido e Canadá.

Um diplomata europeu ouvido sob reserva disse que colegas dos EUA não ofereceram detalhes sobre a questão de segurança.

Um porta-voz do Departamento de Estados afirmou que a gestão de Donald Trump “tem máxima prioridade à segurança e à proteção dos cidadãos americanos” e que a pasta está “trabalhando em estreita cooperação com nossas contrapartes brasileiras para tratar de questões de segurança”.

O porta-voz afirmou que as embaixadas e os consulados dos EUA usam um sistema de mensagens para enviar alertas sobre ameaças, eventos e mudanças relevantes no Brasil.

A medida ocorre às vésperas do primeiro turno das eleições brasileiras, marcado para domingo (4), em meio a temores de uma possível interferência de Trump em favor do candidato Flávio Bolsonaro (PL).

Na quinta-feira (1º), uma suspeita de bomba mobilizou a polícia nas proximidades do STF (Supremo Tribunal Federal), na Praça dos Três Poderes, na região central de Brasília. O objeto, uma bolsa jogada no local, foi posteriormente inspecionado e a suspeita, descartada.

Durante a vistoria, os agentes constataram que havia apenas itens pessoais, como uma pasta de dente e uma escova de cabelo. Um homem de 28 anos, suspeito de ter arremessado a bolsa, foi detido no local.

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