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Brasil

Especialistas dizem que proibir não é a solução contra o narcotráfico

Arquivo Geral

27/08/2010 21h39

Manter a ilegalidade do consumo de drogas não é a solução na luta contra o narcotráfico já que essa política apenas fortalece o mercado, afirmaram especialistas na 2ª Conferência Latino-Americana sobre Políticas de Drogas que acabou hoje no Rio de Janeiro.

“A proibição da droga fez do narcotráfico um mercado muito lucrativo”, comentou Juan Carlos Hidalgo, coordenador de projetos para a América Latina do Cato Institute, dos Estados Unidos.

De acordo com Hidalgo, desde que sai dos países produtores até chegar às mãos dos consumidores, a cocaína multiplica seu valor por 80.

O fracasso da guerra contra o narcotráfico em países como o México não acontece só pela falta de treino da Polícia ou pela corrupção, mas também pelo fato de que no país esse mercado movimenta US$ 25 bilhões ao ano, diz Hidalgo.

A brecha entre as normas legislativas e as socialmente admissíveis é outro fator que contribui com o tráfico de entorpecentes, já que para alguns grupos é mais “aceitável” violar a lei, explica o economista colombiano Francisco Thoumi.

Segundo Thoumi, quando um produto fácil de produzir é declarado ilegal, como a cocaína, sua produção se concentra em lugares onde é mais simples violar a lei, como a Colômbia.

Além disso, os especialistas sabem que em muitos casos o tráfico de drogas financia grupos terroristas como as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) ou o peruano Sendero Luminoso.

Ao contrário dos defensores da legalização das drogas participantes da conferência, o vice-ministro de Justiça do Equador, Freddy Pavón Rivera, acredita que uma descriminalização “fomentaria um estado propício à violação de direitos” e provocaria degradação na saúde pública.

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