As mulheres espanholas residentes no Brasil, que encerraram hoje em São Paulo seu primeiro congresso, pediram ao Governo espanhol a cooperação para capacitá-las no tratamento com deficientes e idosos, e com aulas de castelhano diferenciadas para quem perdeu o contato com o idioma.
“Foram muitos pontos abordados, todos eles positivos e de grande importância, mas nos chamou particularmente a atenção o assunto dos deficientes físicos e o da recuperação de nossa língua”, declarou à Agência Efe o conselheiro de Trabalho e Imigração da Embaixada da Espanha em Brasília, Jesús Salas Zapatero.
O diplomata explicou que o grupo de imigrantes espanholas apresentou uma declaração do encontro com uma série de reivindicações para a comunidade residente no Brasil que será enviada a Madri.
“Elas querem que o Governo espanhol participe, junto às correspondentes autoridades brasileiras, na capacitação das pessoas que convivem com deficientes físicos e idosos para implementar sistemas mais fáceis de moradia e locomoção”, explicou.
O outro ponto destacado pelo conselheiro foi o de um programa de aulas de castelhano especializado para quem, com o tempo, perdeu o contato com sua língua materna.
“Não é a mesma coisa uma aula de espanhol para um alemão ou para um brasileiro que quer aprender nosso idioma para negócios ou para viajar, que uma aula para quem nasceu na Espanha e com o passar do tempo e a falta de prática perdeu muito de sua língua. Precisamos assegurar a aproximação cultural”, comentou o conselheiro.
Assuntos referentes à assistência médica, previdência social e cidadania para filhos e netos em casos especiais também foram incluídos no texto do documento que será enviado à Espanha.
“Uma das grandes conclusões às quais se chegou neste encontro foi que perdemos toda uma geração espanhola no estrangeiro e devemos recuperar de uma ou outra forma essa geração”, apontou o diplomata espanhol.
Salas Zapatero encerrou hoje o I Congresso de Mulheres Espanholas no Brasil, que durante dois dias reuniu 300 participantes de São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Brasília, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, e das cidades paulistas de Santos, Campinas, Sorocaba, Piracicaba e Itapeva.
No encontro também discursaram o cônsul adjunto em São Paulo, Ignacio García Lumbreras; o diretor do Instituto Cervantes em São Paulo, Pedro Benítez; e o enviado do Ministério do Trabalho e Imigração, José Luis Encinas Prado, entre outros representantes do corpo diplomático e da comunidade espanhola.
Na inauguração discursou a secretária-adjunta da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres da Presidência do Brasil, Tereza Cristina Nascimento Souza, que apresentou as novas disposições da legislação brasileira para a defesa das mulheres, como o recém lançado programa “Maus-tratos zero”, para prevenir e combater a violência familiar.