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Brasil

Em três anos, SP perdeu 1 em cada 4 fretados

Arquivo Geral

05/10/2012 10h24

Três anos depois do início das restrições na região central de São Paulo e da exigência de troca de parte da frota, um quarto dos fretados deixou as ruas da capital. Eram quase 6 mil circulando diariamente pela cidade em 2009. Hoje, não passam de 4,5 mil, segundo o Sindicato das Empresas de Transporte por Fretamento (Transfretur).

Na época, a Prefeitura chamou os fretados de “táxis de luxo”, que competiam com o transporte público, e afirmou que a restrição em uma área de 70 quilômetros quadrados melhoraria o trânsito. Com isso, ônibus que deixavam os passageiros na porta das empresas tiveram de passar a fazer o desembarque em estações do metrô – Brás, Barra Funda e Imigrantes.

O administrador de empresas Antonio Mantovani, de 56 anos, até tentou manter a comodidade. “Aumentou meu custo e era um desgaste à toa. Resolvi parar com a maratona do transporte público e pagar garagem. Agora, só venho de carro”, diz. Segundo o Transfretur, muitos tiveram a mesma decisão. “Em 2009, tínhamos 370 mil pessoas usando fretados. Hoje, são cerca de 300 mil. Quem saiu do fretado foi para o carro”, diz o diretor executivo da Transfretur, Jorge Miguel dos Santos.

A Prefeitura, no entanto, afirma que o trânsito melhorou. Segundo dados da Secretaria dos Transportes, em 2008, antes da restrição, a média de lentidão foi de 89 quilômetros no período da manhã e de 129 quilômetros à tarde. No ano passado, foram 80 quilômetros e 108 quilômetros, respectivamente. Nesse período, porém, além dos fretados, também houve restrições a caminhões na cidade.

A administração municipal afirma ainda que na Avenida Paulista, onde se concentravam muitas linhas de fretados, a velocidade média dos ônibus comuns no pico da manhã passou de 11,69 quilômetros por hora para 17,12 quilômetros por hora.

Crítica

Para o consultor e engenheiro de tráfego Horácio Figueira, a Prefeitura errou ao restringir essa alternativa. Para ele, quem está acostumado a ir sentado, no ar-condicionado, saindo da porta de casa e chegando diretamente ao destino, só trocaria o carro por algo parecido. “O fretado é uma alternativa para tirar carros da rua e a cidade não gastaria nada com isso”, afirma.

No ano que vem, termina o prazo para que veículos com mais de 15 anos saiam das ruas. O sindicato estima que pelo menos mais 700 deixem de circular. De acordo com a Associação das Micro, Pequenas e Médias Empresas de Fretamento (Assofresp), com as restrições impostas pela Prefeitura, 30% das companhias de até médio porte fecharam.

O prefeito Gilberto Kassab (PSD) afirma estar satisfeito com o resultado das restrições. “Organizamos o setor e hoje há mais legalizados”, afirma. Kassab diz que não era justo que houvesse concorrência com o transporte público.

De acordo com a Prefeitura, o número de veículos com Certificado de Vínculo ao Serviço, autorizados a rodar na cidade, mas que não necessariamente operam com regularidade na capital, era de 9.427 em 2007 – atualmente, esse número passou a ser de 13.020. A administração municipal ainda ressalta que qualquer ônibus do País que quiser passar pela cidade tem de se cadastrar, sob risco de multa de R$ 2,5 mil.

“Essa regulamentação foi fundamental para organizar o serviço, no âmbito da circulação e de segurança ao usuário, e para manter a mobilidade na capital”, afirmou a Secretaria Municipal de Transportes, por meio de nota.

Permissões

O Departamento de Transportes Públicos (DTP), por sua vez, afirma que dá prioridade ao transporte coletivo municipal, mas informa que criou mecanismos para acelerar permissões. Entre as medidas, está um termo simplificado para os veículos que não circulam rotineiramente na cidade. Em junho, a Prefeitura autorizou centenas de fretados a estacionar no entorno do megatemplo da Igreja Pentecostal Deus É Amor, no Cambuci. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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