Diante da “tensão política internacional”, do atentado que matou quatro franceses em 28 de dezembro atribuído à Al Qaeda no Magrebe Islâmico e “das ameaças diretas contra a corrida”, os organizadores “não podem pensar em outra solução razoável que não a anulação da prova esportiva”, segundo um comunicado.
A um dia do início da prova, que devia começar amanhã em Lisboa, o Rally Dakar foi anulado pela primeira vez em seus 30 anos de história, uma decisão inédita de conseqüências imprevisíveis para a prova do tipo mais importante do mundo.
“A anulação da edição de 2008 não questiona o futuro do Dakar”, afirmou a organização, acrescentando que o rali “é um símbolo, e ninguém pode destruir os símbolos”.
Os organizadores se comprometeram a “propor a partir de 2009 uma nova aventura a todos os apaixonados” da competição. Também lembraram que sua principal responsabilidade é “garantir a segurança de todos”, da população local aos participantes, jornalistas e membros da ampla caravana da corrida, tanto os franceses quanto os de outras nacionalidades.
A Amaury Sports Organization (ASO), empresa que organiza o Rali Dacar, reiterou sua “aposta pela segurança”, que “nunca será comprometida dentro do rali”.
A organização divulgou o seguinte comunicado:
“Após inúmeros contatos com o governo francês – em particular o Ministério dos Negócios Estrangeiros – e tendo em conta as suas fortes recomendações, os organizadores do Dakar tomaram a decisão de anular a edição 2008 da prova, que deveria decorrer entre 5 e 20 do corrente mês, ligando Lisboa à capital do Senegal.
Tendo em conta as atuais situações de tensão politica, a nível internacional, o assassinato de quatro turistas franceses, no passado dia 24 de dezembro, atribuído a um ramo do Al-Qaeda, no Magrebe islâmico, e acima de tudo as ameaças, diretas, lançadas contra a prova, por movimentos terroristas, a ASO não pode tomar outra decisão que não seja a anulação da prova.
A primeira responsabilidade da ASO é a de garantir a segurança de todos: populações dos países atravessados, concorrentes amadores e profissionais, sejam eles franceses ou estrangeiros, elementos da assistência técnica, jornalistas, patrocinadores e colaboradores do rali. A ASO reafirma que as questões de segurança não estão, não estiveram, nem nunca estarão em causa no rali Dakar.
A ASO condena a ameaça terrorista que anula um ano de trabalho, de inscrições e de paixão para todos os participantes e diferentes actores do maior rali-raid do mundo. Consciente da imensa frustração, vivida, em particular, em Portugal, Marrocos, Mauritânia e Senegal, bem como entre todos os nossos fiéis parceiros, para lá da decepção geral e das pesadas consequência económicas, em termos de retorno directo e indirecto, para os países atravessados, a ASO continuará a defender os valores que caracterizam os grandes acontecimentos desportivos e prosseguirá com a mesma determinação o desenvolvimento das suas acções humanitárias, através das Actions Dakar, implantadas depois de cinco anos em África sub-saariana com SOS Sahel Internacional.
O Dakar é um símbolo e nada pode destruir os símbolos. A anulação da edição 2008 não coloca em causa o futuro do Dakar. Propor, em 2009, uma nova aventura a todos os amantes dos rali-raid é um desafio que a A.S.O. irá assumir nos próximos meses, fiel à sua presença e paixão pelo desporto.”