Um grupo de deficientes visuais e seus cães-guia participou hoje (30) de um ato, help na avenida Paulista, para lembrar e conscientizar a população sobre a Lei nº 11.126, em vigor desde setembro de 2006, que autoriza a entrada do portador de deficiência visual acompanhado desses cães em qualquer local público ou privado, ou em qualquer tipo de meio de transporte.
A ação foi organizada pelo Instituto de Responsabilidade e Inclusão Social (Iris), que aproveitou o Dia Internacional do Cão-Guia, comemorado toda última quarta-feira do mês de abril, para divulgar um projeto sobre a importância desses cães como ferramenta de inclusão social.
Segundo a presidente do Iris, Thais Martinez, dona do labrador Boris, alguns usuários ainda encontram problemas e restrições para que os cães ingressem em estabelecimentos e meios de transporte. “Queremos aproveitar esse dia para lembrar a sociedade de que esses cães têm autorização legal para entrar em qualquer local.”
Para ela, o estranhamento da sociedade com relação aos cães é reflexo da falta de informação sobre a existência da lei e também sobre o comportamento desses animais. “Poucas pessoas imaginam quão comportados eles podem ser dentro de um restaurante, um ônibus, um avião”, disse Thais.
Ela explicou que existem cerca de 50 cães-guia em todo o país, número baixo quando comparado ao número de deficientes visuais: mais de 1 milhão de pessoas. Ao todo, há apenas três centros de treinamento para os cães: o Integra, em Brasília, o Iris, em São Paulo, e o Helen Keller, em Florianópolis.
“Na lista de espera do Iris nós temos 2 mil pessoas, que não são atendidas prontamente porque nós precisamos de patrocínio e doação financeira e de filhotes para antender mais pessoas. Atualmente conseguimos atender uma média de oito pessoas por ano.”
Thais ressaltou que as escolas de cães-guias nos Estados Unidos e na Europa conseguem captar mais recursos. “Só uma das escolas americanas, a Leader Dogs for the Blind, que é nossa parceira, entrega cerca de 300 cães-guia por ano”.
Na avaliação da presidente do instituto, a existência de poucos cães-guias no Brasil se deve a uma questão cultural. Segundo ela, em todo o país, pelo menos 80% dos cães-guia começaram a companhar deficientes visuais há oito ou dez anos.
“Algumas pessoas com deficiência acreditam que só se pode ter um cão-guia pagando preços muito elevados e o Iris, assim como todas as instituições que seguem as regras da Federação Internacional de Escolas de Cães-Guia, entrega esse cão gratuitamente.”