ROGÉRIO GENTILE
FOLHAPRESS
Marina Rodrigues de Lima, dona de uma creche em Osasco (SP), foi condenada pela Justiça paulista a uma pena de cinco anos e dez meses de prisão em regime fechado. Presa desde o ano passado, a diretora recorreu da sentença.
Proprietária da Escola de Educação Infantil Alegria de Saber, Marina foi filmada no ano passado dando tapas no rosto de um aluno de dois anos. Uma ex-funcionária gravou a cena.
A dona da creche foi condenada por crime de tortura, sob acusação de ter ferido por 14 vezes o artigo 1º, inciso II da Lei 9.455/1997 (submeter alguém, sob sua guarda, poder ou autoridade, com emprego de violência ou grave ameaça, a intenso sofrimento físico ou mental, como forma de aplicar castigo pessoal ou medida de caráter preventivo).
No vídeo, o menino é puxado pela camisa. A mulher chacoalha a criança e tenta abrir sua boca para forçá-lo a beber em uma caneca. Como resiste, ela lhe dá vários tapas no rosto.
Em entrevista à Rede Globo, a funcionária disse que passou a gravar às escondidas quando percebeu o comportamento agressivo da diretora. “Não acho certo. Se fosse com a minha filha, ia querer que me contassem. Foi isso que eu fiz.”
O processo tramita sob segredo de Justiça.
Procurada pela reportagem, a defesa da diretora enviou a seguinte nota:
“Por decisão da Juíza que preside o feito, os autos tramitam sob sigilo desde o início da investigação. Portanto, em que pese o vazamento de algumas informações durante o curso do processo, seja por quem o tenha feito, a defesa da ré insiste em trabalhar dentro da legalidade, respeitando todas e quaisquer decisões proferidas nos autos. Vale ressaltar que o caráter sigiloso dos autos foi imposto visando exatamente a não interferência da mídia no caso, em respeito ao princípio da presunção de inocência.”