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Brasil

Dilma terá maioria absoluta no Congresso se for eleita

Arquivo Geral

04/10/2010 17h23

A candidata Dilma Rousseff (PT) terá uma maioria absoluta no Congresso que assumirá em 2011 caso seja escolhida presidente do Brasil, enquanto José Serra (PSDB), se for o vencedor, enfrentará um Legislativo de oposição, segundo a apuração das eleições deste domingo.

O novo balanço de forças no Congresso ficou parcialmente configurado hoje com a conclusão da apuração na maior parte dos estados, mas a lista definitiva ainda depende de decisões judiciais, pois o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não divulgou a votação de candidatos que, apesar de estar inabilitados, eram favoritos.

Os partidos que apóiam o Governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e que apoiaram a candidatura de Dilma Rousseff terão a maioria absoluta tanto no Senado como na Câmara dos Deputados, segundo a apuração.

Dilma, com 46,91% dos votos, e Serra, com o 32,61%, foram os dois candidatos mais votados nas presidenciais de ontem, e disputarão o segundo turno em 31 de outubro.

No próximo mandato, dos 81 membros do Senado, 52 são de partidos que apóiam Lula (64,2%), 23 são opositores (28,4%) e 6 são do PTB, que não está na coalizão governista mas cujos senadores, entre eles o ex-presidente Fernando Collor de Mello, costumam apoiar as iniciativas do Governo.

Dos 513 membros da Câmara dos Deputados escolhidos ontem, 402 (78%) são de partidos que apóiam o Governo, e 111 (22%) da oposição, segundo o portal especializado “Congresso em Foco” com base na apuração.

Isso significa que, caso vença no segundo turno, Dilma terá o apoio das duas Casas, inclusive do necessário para aprovar emendas constitucionais: pelo menos 49 senadores e 308 deputados.

Segundo analistas, Serra, em caso de vitória, poderia ampliar sua base parlamentar mediante uma negociação com o PMDB, a maior força eleitoral do país e que hoje é o principal aliado do Governo Lula, mas que também esteve ao lado do tucano Fernando Henrique Cardoso (1995-2003).

“Se Dilma for escolhida terá uma situação muito cômoda: o apoio de dois terços do Congresso e força para aprovar emendas constitucionais”, disse à Agência Efe Antonio Augusto de Queiroz, analista do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap).

“Serra teria condições de formar uma maioria, mas não os votos suficientes para aprovar emendas, por isso teria de negociar com seus opositores”, acrescentou.

De acordo com Queiroz, o PMDB poderá negociar seu apoio ao Governo em troca de espaço no Gabinete e na máquina burocrática, como fez com FHC e depois com Lula.

Lula, que sofreu no Senado suas principais derrotas como presidente, se empenhou para apoiar nas eleições candidatos de sua coalizão de Governo para reverter essa situação.

Os apoiados pelo governante conquistaram 40 das 54 cadeiras em jogo ontem, e reduziram significativamente a representação opositora. As outras 27 cadeiras são de senadores que foram escolhidos em 2006 para mandatos de oito anos.

Entre os senadores que não conseguiram a reeleição estão fortes críticos de Lula, como Marco Maciel e Heráclito Fortes, ambos do Democratas (DEM), e Tasso Jereissati e Arthur Virgílio, do PSDB.

“O PSDB e o DEM elegeram há oito anos um número significativo de senadores e vários deles exerceram uma oposição muito forte a um presidente muito popular. Os eleitores aceitaram o pedido de Lula para não reelegê-los”, disse Queiroz.

As legendas com maior representação no Senado na próxima legislatura serão o PMDB, que passará de 18 para 20 cadeiras, e o PT, que subirá de 9 para 15. Os que mais perderam espaço foram o PSDB, que passará de 14 para 10, e o DEM, que caiu de 14 para 8.

Na Câmara dos Deputados, por outro lado, o PT será a maioria, já que deve aumentar de 79 para 88 os seus assentos, e o PMDB cairá para a segunda posição, de 90 para 79 deputados.

A representação do PSDB deve encolher das atuais 59 cadeiras para 53, e a do DEM passará de 56 para 43.

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