Entre janeiro e julho de 2025, o Brasil registrou 49.336 denúncias anônimas de abuso e exploração sexual infantil na internet, segundo relatório divulgado nesta quarta-feira (20) pela SaferNet Brasil. O número representa um aumento de 18,9% em relação ao mesmo período de 2024.
As denúncias desse tipo correspondem a 64% de todos os crimes cibernéticos reportados à plataforma no período — que também recebeu notificações de crimes como racismo, misoginia e violência contra a mulher. De acordo com a organização, os dados indicam o agravamento da violência digital contra crianças e adolescentes. As informações são da Agência Brasil.
Inteligência artificial é usada para gerar imagens criminosas
Um dos pontos mais críticos do relatório é o uso crescente de inteligência artificial generativa para criar imagens de abuso sexual infantil, seja por manipulação de fotos reais ou por meio de deepfakes — imagens hiper-realistas geradas artificialmente com aparência de fotografias.
“A proliferação de aplicativos de IA generativa permite que se pegue a foto de uma pessoa vestida e se tire a roupa daquela pessoa”, explicou Thiago Tavares, fundador e diretor-presidente da SaferNet Brasil.
A organização alerta que, segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a manipulação de imagens com conteúdo sexual infantil é crime, mesmo quando gerada artificialmente.
Chamada pública busca relatos de vítimas
Como resposta à tendência, a SaferNet abriu uma chamada pública para receber relatos de adolescentes vítimas de conteúdos manipulados com IA. Também podem participar pessoas que tenham conhecimento desses casos.
Os relatos podem ser feitos por meio do canal de ajuda da SaferNet ou por um formulário especializado em denúncias de deepfakes. O objetivo é analisar as situações e contribuir para a formulação de políticas públicas de proteção.
Influência nas redes sociais e aumento das denúncias
Outro fator que influenciou o aumento das denúncias foi a repercussão de um vídeo do influenciador Felca, divulgado em 6 de agosto, que denunciou perfis nas redes sociais responsáveis por promover a adultização infantil.
A partir da publicação do vídeo até 18 de agosto, houve um pico de mais de 6,2 mil denúncias, sendo que 52% dessas ocorrências se concentraram nos dias seguintes à repercussão do conteúdo.
A movimentação levou a Câmara dos Deputados a colocar em pauta o Projeto de Lei 2.628/2022, que obriga plataformas digitais a adotarem medidas preventivas para restringir o acesso de crianças e adolescentes a conteúdos ilegais ou impróprios.
Como denunciar
A população pode contribuir com denúncias por meio da Central Nacional de Denúncias da SaferNet Brasil, que atua em parceria com o Ministério Público Federal. Casos de suspeita de violência sexual infantil devem ser informados ao Disque 100, canal do governo federal.