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Delegado, procurador e presidente de autarquia do RJ são presos sob suspeita de desvio de R$ 86 mi

Foram presos nesta quinta-feira (9), em operação do MP-RJ que investiga os supostos desvios, o presidente do órgão, Davi Perini Vermelho, o Didê

Redação Jornal de Brasília

09/07/2026 12h50

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Foto: Reprodução/TV Globo

BRUNA FANTTI
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS)

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro denunciou 11 pessoas sob suspeita de desvio de R$ 86,3 milhões do IRM (Instituto Rio Metrópole), autarquia estadual responsável pelos projetos da região metropolitana fluminense.

Foram presos nesta quinta-feira (9), em operação do MP-RJ que investiga os supostos desvios, o presidente do órgão, Davi Perini Vermelho, o Didê; o delegado da Polícia Civil Franquis Dias Nepomuceno, diretor da autarquia; e o procurador do Estado Marcelo Lopes da Silva, que chefiava a Procuradoria-Geral do IRM.

A Folha procurou o IRM e a Procuradora-Geral do Estado por email na manhã desta quinta, mas não houve manifestação até a publicação deste texto. A reportagem busca a defesa dos presos.

Procurada, a Polícia Civil afirmou que a Corregedoria instaurou Processo Administrativo Disciplinar para apurar os fatos que implicaram na prisão do delegado. A corporação afirmou que “não compactua com qualquer desvio de conduta de seus integrantes” e que “mantém rígidos mecanismos de controle interno e colabora permanentemente com os órgãos de fiscalização e persecução, adotando todas as medidas cabíveis para apurar eventuais irregularidades”.

A denúncia, apresentada pelo Gaesf (Grupo de Atuação Especializada de Defesa da Integridade e Repressão à Sonegação Fiscal), atribui aos acusados os crimes de organização criminosa, corrupção passiva, fraude em licitações e contratações e lavagem de dinheiro.

Os mandados de prisão e busca e apreensão são cumpridos na capital fluminense, em São Gonçalo (RJ) e em Teresópolis (RJ).

A Promotoria afirma que o grupo usou contratos firmados pelo IRM entre julho de 2022 e maio de 2026 para desviar recursos públicos.

A investigação aponta que Didê chefiava o núcleo de servidores públicos do esquema. Segundo a denúncia, ele autorizava contratações, assinava contratos e controlava os pagamentos.

A autarquia repassava em seguida ao Instituto Bio os valores pagos a duas empresas contratadas (Brazilian Institute of Organics), entidade que, segundo a investigação, não tinha estrutura operacional compatível com os montantes recebidos. O dinheiro era então sacado em espécie.

A reportagem tentou contato com o instituto por email e mensagens na manhã desta quinta, mas não houve manifestação até o momento.

Outro denunciado é Maurício Silva Knoploch dos Santos, diretor de Planejamento e Projetos do IRM e integrante da Comissão Técnica de Licitação. Para os promotores, ele articulava o direcionamento das licitações em favor das empresas contratadas. Ele é considerado foragido.

A reportagem busca a defesa de Santos.

O diretor do IRM é pai do deputado estadual Alexandre Knoploch (PL), que não está entre os investigados na operação.

A Justiça impôs a outros cinco denunciados medidas cautelares diversas da prisão, como monitoramento eletrônico, comparecimento periódico em juízo e proibição de deixar o país.

O Instituto Rio Metrópole é uma autarquia vinculada ao governo do estado. O órgão executa as políticas e os projetos da região metropolitana do Rio, formada por 22 municípios. O órgão funciona como braço técnico do Conselho Deliberativo da Região Metropolitana, colegiado que reúne representantes do estado e das prefeituras. Atua sobretudo nas áreas de mobilidade urbana, saneamento, habitação, meio ambiente e desenvolvimento metropolitano.

QUEM SÃO OS PRESOS

  • Davi Perini Vermelho, o Didê — presidente do IRM e ex-presidente da Câmara de São João de Meriti; apontado pela investigação como chefe do núcleo de servidores
  • Franquis Dias Nepomuceno— diretor de Desenvolvimento Metropolitano Integrado do IRM e delegado da Polícia Civil; apontado pelo MP-RJ como ordenador de despesas e controlador de fato da RioForte
  • Marcelo Lopes da Silva — procurador do Estado, então à frente da Procuradoria-Geral do IRM; emitia os pareceres jurídicos, segundo a investigação
  • Caroline Soares Barros— fiscal de contratos do IRM e presidente do Instituto BIO, a entidade sob suspeita de ser de fachada de acordo com a Promotoria
  • Amanda Íthala Santos da Paschoa — sucessora de Caroline na fiscalização e cunhada do deputado estadual Alexandre Knoploch (que não está entre os alvos da operação); conforme a denúncia, atestava a execução dos contratos;
    Foragido
  • Maurício Silva Knoploch dos Santos — diretor de Planejamento e Projetos do IRM, membro da Comissão Técnica de Licitação e pai do deputado estadual Alexandre Knoploch; apontado como articulador do direcionamento das licitações, segundo a investigação

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