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Delegado diz que prints desmontaram versão de acidente no caso Henry

Edson Henrique Damasceno afirmou no júri que mensagens da babá revelaram agressões e reforçaram a tese de que a morte do menino não foi acidental.

Redação Jornal de Brasília

26/05/2026 14h31

Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

O delegado Edson Henrique Damasceno, que investigou a morte de Henry Borel, afirmou nesta terça-feira (26), no 2º Tribunal do Júri, no Rio de Janeiro, que a análise de prints de mensagens do celular da babá foi decisiva para revelar o que chamou de “farsa” em torno do caso. Segundo ele, sem essas mensagens, “a mentira iria seguir”.

Damasceno relatou que a investigação começou tratando o episódio como um acidente doméstico, mas mudou de rumo após a análise do laudo cadavérico, que apontava lesões graves. Ele mencionou ferimentos em rim, pulmão, cabeça e fígado, além de equimose no corpo, e disse que a reprodução simulada na casa de Dr. Jairinho e Monique Medeiros mostrou incompatibilidade entre as lesões e a versão de queda da cama.

O delegado afirmou que chegou à convicção de que Henry sofreu agressões a partir de mensagens trocadas pela babá Thayná de Oliveira Ferreira com Monique e com o namorado dela. Nessas conversas, segundo Damasceno, apareceram relatos de episódios anteriores de violência atribuídos a Jairinho, o que contrariaria o que a babá havia dito em depoimento na delegacia. Ele disse ainda que os diálogos indicam que Monique tinha ciência das agressões sofridas pelo filho.

Em um dos relatos citados pelo delegado, o menino teria ficado trancado em um quarto com Jairinho e saído mancando e reclamando de dor na cabeça. Damasceno também afirmou que, em 13 de fevereiro, Henry foi levado por Monique a um hospital porque se queixava de dores e mancava, e que a mãe repetiu a versão de que ele havia caído da cama.

O delegado disse ainda que as mensagens indicam que pessoas próximas de Henry, como babá, avó e empregada doméstica, teriam sido “treinadas a mentir” por integrantes do escritório de advocacia que assumiu a defesa do casal no início da apuração. Segundo ele, Monique também orientou a babá a apagar mensagens do celular. Para recuperar conteúdos apagados, a perícia usou o software Cellebrite, ferramenta capaz de resgatar mensagens de aplicativos como o WhatsApp.

Damasceno também confirmou ao júri que Dr. Jairinho teria pressionado o Hospital Barra D’Or, para onde Henry foi levado no dia da morte, a atestar o óbito sem encaminhar o corpo ao Instituto Médico Legal (IML). De acordo com o delegado, a pressão ocorreu por ligações e mensagens de texto, e um alto executivo da Rede D’Or confirmou ter recebido pedidos insistentes. Ele afirmou que, sem a perícia do IML, o corpo poderia ter sido sepultado sem coleta de provas.

Durante o depoimento, o delegado mencionou ainda outros casos envolvendo Jairinho, com relatos de agressões a filhos de ex-companheiras. Segundo ele, uma menina teria sido afogada, e um menino teria sofrido fratura no fêmur após agressão.

O julgamento segue com depoimentos de testemunhas de acusação e defesa. A decisão será tomada por sete jurados, e a expectativa é de que a sessão dure cerca de cinco dias. Nesta terça-feira, o advogado Sérgio Figueiredo anunciou que renunciava à participação no caso, em protesto contra a decisão que negou novo adiamento do julgamento após o infarto de Fabiano Tadeu Lopes, líder da defesa. Na abertura do júri, Jairinho tentou adiar a sessão, mas recuou após a ameaça de transferência para Bangu 1.

Segundo a denúncia, Henry morreu na madrugada de 8 de março de 2021, após ser espancado por Jairinho, enquanto Monique teria se omitido da responsabilidade. O Ministério Público também atribui ao ex-vereador outras três ocasiões de violência contra a criança em fevereiro de 2021. Jairinho responde por seis crimes, e Monique, por sete.

Com informações da Agência Brasil

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