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Brasil

Dados de contador encontrados na nuvem levaram PF à suspeita de lavagem liderada por MC Ryan

Apontado como contador e operador-chave do grupo, Rodrigo de Paula Morgado teria atuado na articulação de transferências bancárias e no gerenciamento financeiro da estrutura, além de prestar auxílio direto a outros integrantes do esquema, segundo a polícia

Redação Jornal de Brasília

15/04/2026 14h16

Rodrigo de Paula Morgado. Foto: Reprodução/ Redes Sociais

Rodrigo de Paula Morgado. Foto: Reprodução/ Redes Sociais

BÁRBARA SÁ E TULIO KRUSE
FOLHAPRESS

A análise de dados extraídos de contas em nuvem do contador Rodrigo de Paula Morgado, que se apresenta como especialista em redução de impostos e com o apelido CEO do Jeep, foi determinante para que a PF (Polícia Federal) identificasse uma nova frente de apuração sobre a organização criminosa investigada por lavagem de dinheiro ligada a apostas ilegais.

Os arquivos foram obtidos com autorização judicial a partir do serviço de armazenamento em nuvem utilizado por Morgado e analisados no contexto de investigações anteriores, como a Operação Narco Bet, desdobramento da Narco Vela. A partir desse material, os investigadores identificaram indícios da existência de uma estrutura criminosa “autônoma e dissociada” de outros núcleos já investigados, voltada à lavagem de capitais.

Apontado como contador e operador-chave do grupo, Morgado teria atuado na articulação de transferências bancárias e no gerenciamento financeiro da estrutura, além de prestar auxílio direto a outros integrantes do esquema, segundo a polícia. A atuação inclui mecanismos de “proteção patrimonial” e estratégias para ocultar a origem dos recursos.

Em nota, o advogado Felipe Pires de Campos, que representa Morgado, disse que não teve acesso aos autos sigilosos, o que impede uma manifestação mais aprofundada. Ele ressalta que o contador atua “estritamente detnro dos limites legais de sua profissão, não tendo qualquer envolvimento com atividades ilícitas”.

“Ainda assim, como já ocorrido anteriormente, a defesa informa que serão apresentados todos os documentos e esclarecimentos necessários às autoridades competentes, a fim de comprovar, de forma inequívoca, a sua inocência”, acrescentou.

Mensagens analisadas pela Polícia Federal indicam que ele viabilizava repasses em nome de terceiros e prestava serviços ligados à ocultação de patrimônio, evasão fiscal e circulação de valores. Há ainda indícios de que tenha dado suporte financeiro a outras organizações criminosas, reforçando seu papel como intermediador dentro da estrutura.

O nome dele aparece entre os alvos da operação deflagrada nesta quarta-feira (15), que investiga um esquema de lavagem de dinheiro com uso de apostas, rifas digitais, transferências bancárias e criptoativos. A Justiça Federal autorizou buscas e apreensões, bloqueio de bens, quebra de sigilo de dados telemáticos e a prisão temporária de investigados.

A decisão aponta que o grupo teria movimentado valores em escala bilionária, com uso de empresas, contas de terceiros e mecanismos de fragmentação de transferências para dar aparência de legalidade aos recursos.

Os elementos mais recentes indicam que a atuação do grupo seguiu ativa até pouco antes da operação. Dados do Coaf e diálogos extraídos da nuvem vinculada a Morgado apontam movimentações ao longo do segundo semestre de 2025, inclusive em dezembro.

A investigação que embasa a operação desta semana é um desdobramento da Operação Narco Bet, deflagrada em outubro do ano passado, quando Morgado já havia sido preso sob suspeita de atuar na lavagem de dinheiro ligada ao tráfico internacional de drogas por meio de apostas online.

Investigações anteriores indicam que ele exerceria papel central na engrenagem financeira do esquema, atuando como intermediador na movimentação de recursos, inclusive com uso de contas de terceiros, empresas e criptoativos.

Dados levantados ao longo das apurações apontam ainda uma evolução patrimonial significativa: o patrimônio atribuído a Morgado passou de cerca de R$ 295 mil para quase R$ 8 milhões em um ano. Entre 2019 e 2024, ele teria movimentado aproximadamente R$ 300 milhões, incluindo operações com criptoativos.

PF PRENDE MC RYAN E MC POZE

A PF prendeu nesta quarta-feira (15) os músicos MC Ryan e o MC Poze do Rodo. O esquema teria movimentado mais de R$ 1,63 bilhão, segundo a investigação.

Poze foi preso no Rio de Janeiro, e Ryan em Bertioga, no litoral paulista. Também foram determinadas medidas de constrição patrimonial, como sequestro de bens e a imposição de restrições societárias.

O advogado de Poze, Fernando Henrique Cardoso Neves, afirmou em nota que desconhece o teor do mandado de prisão. “Com acesso ao mesmo, se manifestará na Justiça para restabelecer sua liberdade e prestar os devidos esclarecimentos ao Poder Judiciário.”

Felipe Cassimiro Melo de Oliveira, advogado do MC Ryan, afirmou que não teve acesso ao procedimento que tramita sob sigilo, razão pela qual está impossibilitado de apresentar manifestação específica sobre o caso. O advogado ressaltou que o MC é uma pessoa íntegra.

A Operação Narco Fluxo é um desdobramento da Operação Narco Bet e cumpre 39 mandados de prisão temporária e 45 mandados de busca e apreensão expedidos pela 5ª Vara Federal em Santos, em endereços nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Espírito Santo, Maranhão, Santa Catarina, Paraná, Goiás e no Distrito Federal.

Durante o cumprimento das medidas, foram apreendidos veículos, valores em espécie, documentos e equipamentos eletrônicos que subsidiarão o aprofundamento das investigações.

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