Camila Valadares
Enviada a Barra (BA)
Um piloto francês quer estragar a festa dos brasileiros no Rally dos Sertões. Cyril Despres segue na liderança da prova e, ontem, contou com a sorte: seus dois principais rivais, os paulistas Jean Azevedo e Tiago Fantozzi, sofreram acidentes. Jean tem presença confirmada na etapa de hoje, a sexta da competição, entre as cidades de Barra e Seabra, ambas na Bahia. Já Fantozzi desistiu.
Pelo segundo ano consecutivo o Rally dos Sertões vale como etapa do Campeonato Mundial, na categoria motos. Por isso, dez estrangeiros estão inscritos. Mas é Cyril Despres quem atrai os holofotes. Campeão do Paris-Dakar 2005 e vice este ano, ele assumiu a liderança da prova brasileira no domingo. Ontem, entre Corrente (PI) e Barra conseguiu abrir mais vantagem. "Estou gostando da prova, o nível dos competidores e da organização é super alto. Quero terminar bem e já penso na prova do ano que vem", completou o francês.
Jean Azevedo, pentacampeão dos Sertões, venceu a etapa de domingo e largou na terceira colocação nesta segunda-feira, mas sofreu um acidente e terminou o dia em sétimo lugar. Jean atropelou uma vaca, a 130 km/h, caiu e foi atendido pela equipe médica no final da etapa cronometrada. "Era uma trilha com muita areia e mata fechada dos lados. Só vi a vaca depois eu levantei do chão. Estou chateado. O que aconteceu foi uma fatalidade. Não foi falha mecânica nem erro meu", lamentou Jean. O paulista teve de levar pontos na boca e reclama de dores.
Desistência
Tiago Fantozzi, campeão dos Sertões em 2001, começou a prova deste ano como um dos favoritos. Venceu as duas primeiras etapas iniciais e no domingo completou em terceiro lugar.
Ontem, foi o quinto a terminar a etapa cronometrada. Durante a prova, a roda dianteira da moto de Fantozzi ficou presa num trecho de areia e ele foi jogado para frente. Quebrou o braço direito e foi aconselhado pelos médicos a desistir.
Sorte do francês Cyril Despres. "Hoje (ontem) a prova foi como um mini Paris-Dakar. O terreno estava muito arenoso e a etapa foi extremamente complicada. Para mim, a mais difícil. Estou numa competição onde não conheço os pilotos, o terreno, as cidades e o clima do País", comentou.
Na disputa dos carros, Klever Kolberg e Eduardo Bampin voltaram a figurar entre os primeiros e fecharam o dia com o melhor tempo (3h23min39s), seguido de Paulo Nobre e Luiz Palu (3h35min06s).
Mesmo assim, depois de não terem conseguido completar as duas útimas etapas, Klever e Bampi não têm chances de brigar pelo título. "Sei que não tenho mais condições de ganhar. Não sou santo e não sei fazer milagre, mas quero vencer o máximo de etapas possível. Hoje (ontem) larguei em 35 e fiz mais de 20 ultrapassagens. Deixei muita gente para trás", gabou-se Klever Kolberg.
Até o fechamento desta edição, não havia terminado a prova da categoria caminhões. Também não havia notícia de nenhum dos três carros de brasilienses inscritos no rali.